No limbo do Brexit, bancários estrangeiros querem ir para casa

Gavin Finch, Stefania Spezzati e Marco Bertacche

(Bloomberg) -- Cansados dos meses de especulações sobre se seus empregos serão transferidos ou cortados, os funcionários estrangeiros de alguns dos maiores bancos de Londres estão tomando a iniciativa e pedindo para serem transferidos de volta para casa, segundo pessoas com conhecimento dos pedidos.

Funcionários do Citigroup, do Goldman Sachs e do HSBC Holdings se apresentaram voluntariamente para voltar aos seus países natais dentro da União Europeia se seus empregadores precisarem realocar profissionais após o Brexit, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque as discussões são privadas. No Société Générale, pelo menos dois traders já foram transferidos de volta para casa -- à França e à Itália -- em antecipação à possível decisão do banco de dispersar seus funcionários que trabalham em Londres por todo o continente, disse uma das pessoas.

Os bancos internacionais iniciaram o processo de transferência de algumas operações do Reino Unido para polos de negociações novos ou expandidos dentro da UE depois que a primeira-ministra britânica, Theresa May, deu início ao mecanismo formal de saída do bloco formado por 28 países. As empresas estão se preparando para o chamado Brexit duro -- a perda do direito de vender serviços livremente por toda a região a partir de suas bases de Londres -- e querem ter escritórios em operação em outras partes antes do fim do período de negociação de dois anos entre o Reino Unido e a UE.

O Brexit pode ajudar a reverter uma tendência: durante décadas os mais brilhantes formados das universidades de toda a UE se mudaram para Londres para seguir carreira no setor de finanças porque era lá que os bancos de investimento globais mantinham suas sedes europeias.

Os executivos do HSBC falaram abertamente sobre os planos de realocar até 1.000 traders de Londres em Paris. Depois que a secretária de Interior do Reino Unido, Amber Rudd, disse no ano passado que forçaria as companhias a revelarem quantos trabalhadores estrangeiros empregavam para evitar que imigrantes "ocupassem cargos dos britânicos", o banco recebeu pedidos de funcionários franceses ansiosos para voltar para casa, disse uma das pessoas.

Família à espera

Um diretor-gerente de outro banco que recentemente se mudou de Frankfurt para Londres para administrar um negócio de trading deixou esposa e filhos na Alemanha, presumindo que de todos modos seu emprego será realocado para lá depois do Brexit. Ele analisará a possibilidade de tirar os filhos da escola e mudar sua família para Londres apenas se a primeira-ministra britânica conseguir um bom acordo para o setor com seus pares da UE, disse o executivo bancário, que pediu anonimato porque não estava autorizado a falar publicamente.

Os executivos bancários não buscam apenas segurança no emprego. Muitas das jurisdições que competem pelo butim do Brexit estão prometendo incentivos fiscais atraentes para a realocação de indivíduos de alto patrimônio líquido. O governo da França está entre os mais agressivos, oferecendo a alguns franceses que estão voltando ao país e a estrangeiros reduções no imposto de renda de até 50 por cento por oito anos e isentando propriedades e ativos estrangeiros do imposto sobre a riqueza. Em fevereiro, a Itália revelou um pacote de medidas fiscais, incluindo um "imposto fixo" de 100.000 euros (US$ 107.000), para toda renda de fonte estrangeira.

Porta-vozes dos bancos Citigroup, Goldman Sachs, HSBC e Société Générale preferiram não comentar.

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