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Mercado de trabalho exigente leva desespero a jovens nos EUA

Jeanna Smialek

(Bloomberg) -- Ryan Johnson tinha 22 anos quando morreu de overdose. O vício em heroína piorou à medida que ele perdeu as esperanças em seu futuro na cidade de Erie, no Estado americano da Pensilvânia. Foi a mãe que o encontrou no quarto, com a cabeça caída e os lábios azuis. Ela ficou deitada ao lado do corpo do filho por uma hora.

"Ele viu que não queria aquela vida e não sabia o que fazer", conta Sue Johnson. O rapaz desistiu de um curso de culinária que duraria dois anos e estava trabalhando algumas horas por semana e ganhando pouco. Ele sempre se comparava a pessoas da sua idade que faziam faculdade e com a irmã mais velha, que gosta de estudar e praticar esportes.

Os destinos dos americanos que terminam a faculdade e daqueles com pouca escolaridade divergem de maneira trágica. O risco de morte entre os americanos brancos de meia-idade sem diploma universitário está comprovadamente aumentando ? por uso de drogas, alcoolismo, suicídio e porque o progresso no combate ao câncer e a doenças cardíacas se desacelerou. A sina dos jovens da geração de Johnson pode ser ainda pior com o passar do tempo.

"A América não é um bom lugar para pessoas que só cursaram até o ensino médio e não acho que isso vá melhorar tão cedo", disse Angus Deaton, economista da Universidade de Princeton que ganhou o prêmio Nobel.

Ainda é cedo para afirmar se a taxa de mortalidade dos jovens de hoje será maior do que a que se observa atualmente para os americanos de 45 a 54 anos, disse Anne Case, economista de Princeton que identificou a tendência das "mortes por desespero" junto com seu marido e coautor Deaton.

Mas como mostra a triste história de Johnson, há motivos para preocupação.

Case e Deaton têm uma teoria sobre o aumento da mortalidade entre os americanos brancos com menos escolaridade. Quem sai do colégio direto para o mercado de trabalho enfrenta maior desemprego, menor aumento de salários e menos chance de casamento do que gerações passadas e do que as pessoas formadas da mesma geração. As estruturas de apoio comunitário ruíram e, ao passo que as desvantagens se acumulam, aumentam as mortes prematuras.

Esses problemas podem se intensificar para a próxima geração que chegar à meia-idade. Muitos dos que nasceram depois de 1980 se juntaram à força de trabalho durante a Grande Recessão. Seus salários iniciais são baixos e suas perspectivas de emprego são ruins. Quem tem diploma muitas vezes tem enormes dívidas contraídas para pagar a faculdade. Mas nessa geração, praticamente dois terços dos jovens não têm diploma, o que, na economia atual, é pré-requisito para funções que pagam salários maiores e oferecem benefícios.

Enquanto isso, os casamentos acontecem com menos frequência e em idade mais avançada. Menos gente frequenta alguma igreja ou integra um sindicato. Por isso, quando a vida se complica, os jovens se veem sozinhos.

Embora negros e pessoas de origem latino-americana sem diploma universitário também estejam ficando para trás em termos econômicos e sociais, a mortalidade na meia-idade piorou especialmente para os brancos ao longo dos últimos 20 anos ? fato que muitos atribuem ao contexto social.

"Para os brancos, a referência são as gerações anteriores de brancos", disse Shannon Monnat, professora da Universidade Estadual da Pensilvânia que estuda a epidemia de opiáceos em regiões rurais dos EUA. "Quando se comparam a seus pais e avós, a sensação é que a geração deles está pior."

Os sinais de estresse já são evidentes. A taxa de suicídio entre pessoas entre 20 e 34 anos é maior do que em 2000. Mortes causadas por álcool têm subido em todas as faixas etárias, mas, entre 1999 e 2015, essas mortes dobraram entre os que têm de 25 a 34 anos, segundo análise de Monnat a partir de dados do Centro de Prevenção e Controle de Doenças do governo americano.

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