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Rússia continua atraindo imigrantes apesar dos baixos salários

Olga Tanas

(Bloomberg) -- A enorme reserva de mão de obra que atravessa as fronteiras porosas da Rússia está aliviando as pressões do mercado de trabalho e ajudando a drenar a economia de pressões inflacionárias em meio à aceleração após quase dois anos de recessão.

O fluxo constante de chegadas se manteve apesar de o encolhimento dos salários e a pior crise monetária da Rússia desde 1998 terem deixado o custo da mão de obra menor que o de outras economias emergentes, como Brasil e China. Em 2015, a Rússia empatou com a Alemanha em segundo lugar no mundo, com 12 milhões de imigrantes internacionais, de acordo com um relatório publicado pelas Nações Unidas. O aumento líquido do ano passado chegou a mais de 260.000, mostram dados do serviço de estatísticas.

"Se os salários russos foram atraentes para os imigrantes mesmo em 2015-2016, a imigração para a Rússia provavelmente continuará quando a economia russa começar a crescer de forma sustentável", disseram analistas do Sberbank CIB, incluindo Anton Stroutchenevski, em um relatório.

Dados divulgados na terça-feira mostraram que o desemprego caiu inesperadamente em março para 5,4 por cento, nível mais baixo deste ano, contra 5,6 por cento um mês antes. O salário real subiu 1,5 por cento, menos que o projetado pelos economistas consultados pela Bloomberg, enquanto as vendas do varejo encolheram em uma base anual pelo 27o mês, um recorde.

O mercado de trabalho, pressionado pelo envelhecimento populacional e pela demografia pobre, absorveu milhões de trabalhadores de toda a antiga União Soviética apesar de a expansão econômica da Rússia ter sido abalada pelo colapso dos preços das commodities. Com a desvalorização de 40 por cento do rublo desde meados de 2014, os salários da Rússia se tornaram "amplamente competitivos" com os da China pela primeira vez desde o fim da era czarista, há um século, segundo a Renaissance Capital.

O declínio da taxa de juros nominal deixou os salários industriais na Rússia cerca de 30 por cento a 35 por cento abaixo das remunerações da China em 2015-2016, disse a primeira-vice-presidente do banco central russo, Ksenia Yudaeva, na semana passada. Após ganhos do rublo, considerando que não haja mudanças na China, mesmo com os aumentos deste ano os salários russos ainda se manterão cerca de 20 por cento abaixo das remunerações dos chineses, disse ela.

À medida que os salários reais se tornaram positivos no ano passado após 15 meses de declínio, o banco central passou a focar cada vez mais na ameaça que os salários maiores representam para a inflação. Mas em seus dois comunicados após as reuniões de fixação dos juros, neste ano, o Banco da Rússia deixou claro que o risco já não está à vista.

Em março, após reduzir os juros pela primeira vez em seis meses, o banco central repetiu uma frase já usada em fevereiro, dizendo que "o aumento anual observado nos salários reais fomenta o crescimento gradual da atividade do consumidor sem representar uma pressão pró-inflacionária adicional".

Atualmente os imigrantes respondem por 5 por cento a 7 por cento do mercado de trabalho, segundo Yaroslav Kuzminov, reitor da Escola Superior de Economia de Moscou. A população ativa da Rússia era de 76,6 milhões em média no ano passado, mesmo número de 2015.

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