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Análise: Rei da ostentação arrebata alta-costura de alto nível

Andrea Felsted

  • Guillaume Souvant/Getty Images

(Bloomberg) -- A consolidação do setor de luxo começa em casa. Em vez de esbanjar na Tiffany & Co., na Burberry Group ou na Michael Kors Holdings, o bilionário francês Bernard Arnault assumirá o controle total da Christian Dior por cerca de 12 bilhões de euros (US$ 13 bilhões).

A Christian Dior funciona como uma matriz para a maior parte da participação de 47% da família Arnault na gigante de luxo LVMH. Também possui a marca, as lojas e o ateliê de alta-costura Christian Dior.

Em uma segunda parte do acordo, a LVMH comprará esses ativos operacionais, conhecidos como Christian Dior Couture, por um valor corporativo de 6,5 bilhões de euros.

Tanto a LVMH quanto a Dior Couture se mantiveram à tona graças à recuperação que varreu a indústria da moda de alto nível com a volta dos consumidores chineses. Isso fortaleceu as finanças da LVMH. A alavancagem era de apenas 12% no fim do ano passado, de acordo com a companhia.

Ao oferecer um prêmio de 15% pela posse de ações residual, a família Arnault espera alcançar o antigo objetivo de assumir o controle total da Dior, sem ser acusada de tentar obtê-lo de forma barata.

Minorias problemáticas

Arnault vai se livrar de minorias possivelmente problemáticas. E considerando que ele já possui 74%, os detentores terão dificuldade para conseguir um preço mais elevado. Por isso, as ações da Dior estavam sendo negociadas pouco abaixo do valor da oferta no fim da manhã desta terça-feira.

A família Arnault está usando os restos de seus ativos na Hermès International como moeda de aquisição para comprar a companhia controladora da Dior. Como as ações da Hermès estão perto de picos recorde, este é um bom momento para extrair aquela última ficha.

E há motivos para que investidores que não pertencem à família LVMH reclamem por pagar um alto preço para comprar a Christian Dior Couture de outra parte do império Arnault, com a companhia contraindo mais dívida para fazer isso?

Provavelmente não. Moda de alta margem e produtos de couro foram os de melhor desempenho para a LVMH em um primeiro trimestre de arromba. Acumular nesta área faz sentido. E também reduz a dependência da empresa em relação à marca Louis Vuitton, menos exclusiva. As ações da LVMH também subiram por causa do acordo.

Mas, para algumas partes, a inteligente reorganização de Arnault não é uma notícia tão boa. A primeira delas é a Hermès. A fabricante da bolsa Birkin vai se livrar de Arnault, mas isso poderia exercer uma pressão de queda sobre o preço de sua ação.

Analistas da Exane BNP Paribas vêm argumentando há um tempo que a Hermès poderia perder seu caráter especial e se tornar mais parecida com seus pares. As ações da empresa estão sendo negociadas a 37 vezes os resultados esperados, uma proporção abundante, em contraste com o valor menos impressionante de 20 vezes para o grupo de luxo afim da Bloomberg Intelligence. A LVMH é negociada a 23 vezes.

Alerta

A prontidão de Arnault para vender a Hermès pode ser um sinal de alerta. Além disso, sem nenhuma participação restante nas ações, qualquer esperança remanescente de que a LVMH dê mais uma chance à Hermès desapareceram.

De fato, qualquer grupo de luxo em dificuldades que deseje ser resgatado por Arnault deveria perder as esperanças, porque ele parece determinado a usar as balas que tem na agulha para arrumar a própria casa. Até mesmo depois de arrebatar a Dior, a alavancagem da LVMH será de apenas 35%, de acordo com a companhia. Mas qualquer outro negócio provavelmente estaria voltado a marcas de relógios ou joias.

Tiffany, Burberry e Michael Kors podem não gostar, mas por enquanto Arnault está se atendo ao que ele conhece melhor.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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