Uber oferece benefícios por incapacidade a motoristas britânicos

Adam Satariano

(Bloomberg) -- A Uber Technologies começará a oferecer aos motoristas britânicos a possibilidade de contratarem seguros contra lesões e doenças, medida pensada para oferecer segurança a esses motoristas independentes que, segundo as críticas recebidas há tempos pela empresa, recebem um tratamento ruim.

O benefício é inédito no caso da Uber, que tem enfrentado ações judiciais dos motoristas e pressões governamentais ao redor do mundo por não se esforçar mais para ajudar seus milhares de motoristas, que a empresa considera freelancers contratados, e não empregados. A classificação permite que a companhia evite diversos custos com impostos e benefícios devidos pelos empregadores.

A política de seguros anunciada na quinta-feira será disponibilizada apenas aos motoristas do Reino Unido. Aqueles que tiverem completado mais de 500 corridas poderão pagar 2 libras (US$ 2,58) por semana por benefícios que cobrem doenças e lesões, serviço de júri e um pagamento de 50.000 libras em caso de um acidente que resulte em morte ou deficiência. A Uber afirma que contribui para o pacote de benefícios, que segundo a empresa vale 8 libras por semana.

A Uber não informou se os benefícios seriam oferecidos em outras partes do mundo. No Reino Unido, a cobertura está sendo administrada por terceiros -- no caso, a Associação de Profissionais Independentes e Autônomos, que congrega trabalhadores freelancers.

Jo Bertram, gerente-geral da Uber no Reino Unido, disse em comunicado que o benefício é uma resposta aos pedidos dos motoristas. A decisão surge após o anúncio feito em fevereiro, quando a empresa começou a oferecer assessoria financeira aos motoristas.

"Os motoristas que ganham dinheiro por meio do aplicativo Uber nos dizem que adoram a liberdade de serem seus próprios chefes e de escolherem se, quando e onde dirigir", disse Bertram. "Mas os motoristas também nos disseram que querem uma segurança maior em caso de que algo inesperado aconteça."

A Uber enfrenta há tempos questionamentos a respeito do tratamento destinado aos motoristas. No Reino Unido, um de seus maiores e mais estabelecidos mercados, a companhia contesta a derrota sofrida em uma ação judicial sobre salários mínimos relacionada a remuneração e férias -- uma decisão que pode gerar grandes reflexos na forma de remuneração dos motoristas no país.

Nos EUA, um acordo judicial de US$ 100 milhões com motoristas da Califórnia e de Massachusetts foi rejeitado por um juiz federal. Em fevereiro, a Bloomberg publicou um vídeo do CEO da Uber, Travis Kalanick, discutindo sobre remuneração com um motorista da Uber.

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