Análise: Bolsa europeia é porto seguro para quem quer evitar EUA

Mark Gilbert

(Bloomberg) -- O que é ruim para Donald Trump pode ser ótimo para as bolsas europeias.

O escândalo que envolve o presidente dos EUA deve contribuir para o movimento de alta que fez com que o retorno do Euro Stoxx 600 superasse o do Standard & Poor's 500 neste ano.

Há muitos anos, o contexto político da zona do euro deu aos investidores globais motivo ? ou desculpa ? para recear as ações de empresas da região. Mas com a eleição presidencial na França no passado, a perspectiva de a chanceler alemã, Angela Merkel, permanecer no cargo e a diminuição do risco de antecipação das eleições na Itália, essas preocupações devem desaparecer.

Tudo indica que os investidores estão ficando otimistas em relação à Europa. Após retirarem mais de US$ 100 bilhões de fundos de renda variável da Europa no ano passado, houve entrada líquida de US$ 6,1 bilhões na semana encerrada em 10 de maio, de acordo com dados da EPFR Global citados pelo Bank of America Merrill Lynch.

O total de ativos investidos no principal fundo da BlackRock focado em ações europeias e negociado no mercado americano aumentou 155 por cento desde dezembro, segundo reportagem publicada nesta semana pela Bloomberg News.

Ainda assim, a previsão dos estrategistas é que o Stoxx Europe 600 recue até o fim deste ano.

Este descasamento mostra que os ganhos das bolsas europeias superaram as expectativas, embora os especialistas surpreendidos tenham elevado suas projeções nos últimos meses.

As ações da zona do euro apresentaram retorno total em dólares de 17,2 por cento desde o começo do ano, mais que o dobro do obtido com o S&P 500. Em euros, o retorno gerado nas bolsas dos EUA é bem menor do que no outro lado do Oceano Atlântico.

Não foi somente o mercado acionário europeu que bateu expectativas. A melhora do cenário econômico também surpreendeu os analistas.

Por exemplo, o principal indicador de sentimento econômico apurado pela Comissão Europeia para a zona do euro ficou acima das previsões dos economistas 15 vezes nos últimos três anos e aquém do esperado em apenas 10 ocasiões.

Os dados econômicos da zona do euro ultrapassaram consistentemente as projeções nos últimos seis meses, aproximadamente. Já nos EUA, os números começaram a vir abaixo das estimativas de consenso.

O progresso da economia na zona do euro também se reflete no mercado de câmbio, onde, apenas pela sexta vez nesta década, as apostas são de que o euro irá melhor do que o dólar.

No entanto, as bolsas europeias vão enfrentar percalços se a crise em torno da Casa Branca levar ao impeachment de Trump e a quedas nas bolsas dos EUA. Mas diante do contraste entre a melhora do pano de fundo político na Europa e seu agravamento nos EUA, pode-se dizer que, em bases relativas, a Europa atualmente é um porto seguro.

Esta coluna não necessariamente reflete a opinião da Bloomberg LP e seus proprietários.

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