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Recuperação da Petrobras é interrompida pela crise política

Peter Millard

  • Antonio Lacerda/Efe

A recuperação da Petrobras está encontrando novos obstáculos com o início de um novo período de crise política no Brasil que está atingindo ações, títulos de dívida e o real.

O plano da petroleira de vender US$ 21 bilhões em ativos, parte fundamental do esforço para reduzir dívidas e reconquistar a classificação de grau de investimento, atualmente é prejudicado pela incerteza em relação à capacidade do presidente do Brasil, Michel Temer, de terminar seu mandato.

Nesse cenário, a estatal com sede no Rio de Janeiro terá mais dificuldades para encontrar compradores para as refinarias e os campos de petróleo que busca vender, disse Chris Kettenmann, estrategista-chefe de energia da Macro Risk Advisors.

"A situação coloca mais peso sobre um cenário político já difícil", disse Kettenmann, em entrevista por telefone, de Nova York. "Será que os compradores vão querer empregar capital? É uma boa pergunta."

A ruptura política surge justamente no momento em que o presidente da Petrobras, Pedro Parente, nomeado por Temer há um ano, estava conseguindo recolocar a empresa de pé após uma abrangente investigação de corrupção e o pior declínio da indústria do petróleo em uma geração.

Denúncia contra Temer

Na quinta-feira (18), Temer desafiou os pedidos de renúncia depois que o jornal "O Globo" publicou reportagem sobre uma gravação que teria revelado que o presidente teria dado aval à pagamento ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Os mercados despencaram enquanto membros do gabinete e aliados ameaçavam renunciar em resposta às acusações, colocando em risco a agenda de reformas do governo.

A Petrobras caiu 16% em São Paulo, para R$ 13,15, maior declínio desde 1998.

Se houver queda na venda de ativos a Petrobras encontrará outros caminhos para atingir suas metas de redução da alavancagem, disse Parente, em conferência em Nova York, na quinta-feira, segundo um funcionário do departamento de imprensa da companhia.

O governo também terá mais dificuldades para atrair ofertantes para as rodadas de concessão de campos de petróleo programadas para o segundo semestre do ano, disse Kjetil Solbraekke, consultor da Rystad Energy no Rio. O Brasil está tentando atrair novos atores para a indústria do petróleo para ajudar a acelerar o crescimento da produção na maior economia da América Latina.

"Os investidores olham e perguntam 'como posso colocar bilhões de dólares nesse lugar'", disse Solbraekke. "O assunto Temer pode atrasar tudo."

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