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Acordo Glencore-Bunge adicionaria G ao ABCD que domina grãos

Javier Blas, Dinesh Nair e Shruti Date Singh

(Bloomberg) -- A abordagem da Glencore à trader de grãos americana Bunge ressalta o quanto a gigante de commodities suíça deseja ampliar seu domínio nas Américas e acabar com o controle do setor exercido por quatro grandes companhias.

A Glencore afirmou em comunicado na terça-feira que abordou a Bunge para uma potencial "combinação comercial consensual" e não se sabe ao certo se haverá acordo. As ações da empresa americana subiram, elevando seu valor de mercado a US$ 11,5 bilhões. A Bunge informou posteriormente que não participa de "discussões para combinação comercial" com a Glencore nem com a unidade agrícola da companhia.

Se confirmada, a combinação criaria uma das maiores traders agrícolas do mundo, com ativos em lugares como Brasil, Austrália, Rússia e Canadá. A empresa combinada seria uma potência nos segmentos soja, trigo e açúcar, com grande presença nos fluxos comerciais entre a América Latina e países importadores de alimentos, como a China. O acordo também significaria uma mudança de maré em um setor que no último século foi dominado pelo chamado quarteto ABCD, formado por Archer-Daniels-Midland, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus.

"Trata-se de uma aquisição que visa a estratégia corporativa" em vez de sinergia, disse Steve Laveson, gerente de portfólio da Becker Capital Management em Portland, Oregon, em entrevista por telefone, na terça-feira. A Becker possui mais de 630.000 ações da Bunge.

Caça nos EUA

Não é segredo que a Glencore, liderada pelo bilionário Ivan Glasenberg, vem caçando ativos na indústria de grãos dos EUA. Chris Mahoney, que administra a unidade agrícola da Glencore, disse em entrevista à Bloomberg News publicada no início do mês que a companhia tinha dificuldades para encontrar "vendedores interessados". Um dia depois desses comentários, o CEO da Bunge, Soren Schroder, indicou a analistas em uma teleconferência de resultados que sua empresa estaria aberta a participar de negócios no setor.

"Acho que agora é ABCD e G", disse Mahoney, 58, na entrevista concedida em seu escritório, na região central de Roterdã, perto do maior porto da Europa. A Glencore já é a maior trader de trigo do mundo e a maior negociante de leguminosas como grão-de-bico.

O acordo daria à Glencore, que tem sede em Baar, na Suíça, acesso à vasta rede de caminhões, barcaças e elevadores da Bunge, incluindo infraestrutura nas Américas do Norte e do Sul. Quase 40 por cento dos ativos de longo prazo da Bunge estão no Brasil, onde a Glencore se expandiu com a aquisição de uma usina de açúcar no início do ano.

"A Bunge está comprometida a continuar executando sua estratégia global para os alimentos agrícolas e buscar oportunidades para impulsionar o crescimento e gerar valor", afirmou a empresa com sede em White Plains no comunicado.

Peter Grauer, presidente do conselho da Bloomberg LP, é diretor sênior independente não-executivo da Glencore.

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