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China combate problemas agrícolas para garantir alimentos

Bloomberg News

(Bloomberg) -- A paisagem agrícola da China pode ser resumida de forma bastante simples: o país tem muito pouca terra arável, dividida em muitas parcelas diminutas, cuidadas por muitos agricultores, e a maioria deles são muito velhos. E grande parte do solo está contaminada.

Quatro quintos das terras agrícolas do país estão divididos em parcelas de menos de 3,3 hectares, e a maioria delas são ainda menores - menores do que um campo de futebol. Essas parcelas de terra são utilizadas principalmente para cultivar cereais como arroz e trigo em um solo ensopado pelos agricultores com produtos químicos subsidiados pelo governo para aumentar os rendimentos e manter cheios os silos de grãos do Estado.

Para satisfazer a demanda cada vez maior da nova classe média rica da China por uma maior variedade de alimentos como carne, frutas e legumes, o país precisa de fazendas maiores, mais eficientes e mais seguras. Mas isso apresenta um grande dilema para o Estado: se ele permitir a consolidação de todos esses pequenos lotes, poderia deixar milhões de trabalhadores rurais sem emprego.

Quase metade da população do país ainda mora no campo, disse Hu Bingchuan, pesquisador do Instituto de Desenvolvimento Rural da Academia Chinesa de Ciências Humanas em Pequim. "Se eles não conseguirem empregos nas cidades, isso irá gerar descontentamento social. Fazendas modernas e a agricultura pequena e tradicional das famílias coexistirão por um tempo."

Segurança

A segurança alimentar é a principal motivação para a maioria dos empreendedores chineses. A primeira pesquisa nacional sobre fontes de poluição do país, de 2010, mostrou que a principal causa de poluição das águas superficiais era a agricultura, não a indústria, segundo um relatório do Banco Mundial.

Consumidores chineses foram bombardeados por dez anos de escândalos com alimentos que levaram muitos chineses mais ricos a preferirem marcas estrangeiras ou de pequenas fazendas locais e orgânicas. Eles também desejam alimentos mais exóticos e frutas e legumes frescos o ano inteiro.

Para solucionar o problema, o governo está tentando levar água do sul para o norte com uma rede enorme de barragens e canais. E está combatendo a perda de terras agrícolas para cidades. E está ajudando a financiar fazendas-modelo de grande escala que possam testar novas técnicas e sistemas para plantação e gado.

Projeto

Uma delas fica em Yantai, na província de Shandong, em uma península de terra famosa por seus vinhedos que se projeta para o mar Amarelo. Operada pela Penglai Hesheng Agricultural Technology Development, ela é enorme para o padrão chinês. A empresa arrendou 70.000 hectares e emprega 400 pessoas. O projeto inclui uma unidade de processamento de alimentos, um haras e um vinhedo que produz 80.000 garrafas por ano.

A companhia espera atrair mais empresas privadas para a fazenda. Mais de um terço das famílias rurais já arrendaram suas terras, segundo novas normas promulgadas em dezembro, disse Qu Dongyu, o vice-ministro de Agricultura, em uma conferência em 20 de abril.

"Muitos agricultores abandonaram suas aldeias para trabalhar nas cidades e deixaram idosos e crianças que não podem fazer tarefas agrícolas", disse Hu, do Instituto de Desenvolvimento Rural. "Algumas aldeias estão vazias."

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