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Confeiteiros lucram com obsessão por bolos no Instagram

Polly Mosendz

(Bloomberg) -- Na pequena cozinha de um apartamento em Manhattan, Chelsey White assa, monta, adiciona glace e decora com esmero um bolo elaborado com tema de sereia. Todo o processo, que dura quatro horas, é filmado, reduzido a alguns poucos minutos na edição e compartilhado nas redes sociais. Com seu propósito alcançado, o impecável bolo de três camadas é cortado e colocado em um Tupperware. White leva todas as sobras para o escritório. Ela detesta desperdiçar bolo.

Com mais de 250.000 seguidores e vídeos que frequentemente são visualizados centenas de milhares de vezes, White é uma celebridade do Instagram. Ela antigamente vendia bolos aos fãs, mas agora ganha dinheiro vendendo o conceito do bolo, junto com parceiros como Food Network e AwesomenessTV.

"Estou ganhando muito mais dinheiro com a criação de conteúdo do que ganhava com os bolos", disse White, 26. Ela não quis revelar detalhes de seus contratos, mas disse que recebe atualmente mais do que quando aceitava oito pedidos de bolo por semana, que custavam em torno de US$ 100 cada.

A comunidade boleira do Instagram é tão adorada quanto os próprios bolos. O canal de bolos da seção Explore do aplicativo é um dos mais populares com base no tempo dedicado a ele. A hashtag "cake" (bolo, em inglês) gerou mais de 45 milhões de publicações, e "cakestagram" totalizou 1,8 milhão.

Trata-se de uma grande oportunidade de negócios para esses confeiteiros. Os chefs de profissionais usam o Instagram para anunciar seus negócios tradicionais, mas Cakestagram é impulsionado por confeiteiros autodidatas que trabalham em casa e não estão interessados em abrir uma padaria. Eles preferem se concentrar em pedidos on-line, parcerias de conteúdo de vídeo e workshops encabeçados por personalidades das redes sociais.

Não há um tutorial sobre como ficar famoso no mundo dos bolos. Os usuários do Instagram normalmente fecham acordos empresariais e de patrocínio quando são procurados pelas empresas. Andrea Walters, uma dona de casa de Wichita, Kansas, que administra uma empresa de biscoitos personalizados, foi convidada pela Roundup Cookie Retreat a realizar dois workshops, nos quais os participantes pagam US$ 250 por tutoriais que duram um fim de semana. Outra confeiteira popular, Ksenia Penkina, disponibiliza suas aulas pela internet por cerca de US$ 150 por vídeo.

Apesar da popularidade, muitos confeiteiros preferem não se dedicar completamente a uma carreira baseada em sua fama no mundo digital dos bolos.

Ashley Shotwell, cujos bolos coloridos para a Hella Vegan ganharam fama na comunidade eletrônica vegana, ainda está descobrindo como transformar seus 30.000 seguidores em um negócio que vá além de vender bolos. White insiste em manter seu trabalho diurno em finanças, apesar do dinheiro que ganha com os vídeos dos bolos. Walters, que tem mais de 17.000 seguidores, levou anos para passar de vender biscoitos a dar aulas. "Você chega a um ponto onde finalmente tem confiança em sua capacidade como confeiteiro e está disposto a dar o seguinte passo", disse ela.

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