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Nestlé reduz sal para conquistar adeptos da alimentação saudável

Corinne Gretler

(Bloomberg) -- A Nestlé está reduzindo a quantidade de sal de uma de suas marcas que mais usam o tempero -- a Maggi, que produz massas, sopas e condimentos -- já que a maior empresa de alimentos do mundo pretende responder às exigências dos consumidores e dos governos por produtos mais saudáveis.

A empresa suíça planeja uma redução média de 10 por cento do sal nos produtos Maggi até 2020 e adicionará mais vegetais e outros ingredientes ricos em nutrientes. As mudanças, anunciadas na terça-feira, fazem parte de uma iniciativa de toda a companhia para reduzir o sódio, a gordura saturada e o açúcar.

"A Maggi ampliará os horizontes para superar nossos compromissos", disse Wayne England, chefe da unidade de alimentos da Nestlé, em entrevista por telefone, acrescentando que espera um aumento das vendas da marca como resultado.

A mudança surge no momento em que grandes empresas de alimentos, como Mondelez International e Unilever, tentam lançar produtos mais saudáveis e que os governos implementam impostos ao açúcar e buscam limitar os níveis de sódio. O setor luta contra a queda das vendas porque os consumidores evitam cada vez mais os alimentos embalados, que são vistos como pouco saudáveis e cheios de ingredientes artificiais. A geração Y, atraída pela produção orgânica e por alimentos de fontes locais, está acelerando a mudança.

Massas, caldos

As reduções de sal da Maggi estão em sintonia com as metas mais amplas da Nestlé, mas a mudança em uma de suas maiores linhas, entre as que mais usam sal, amplia o compromisso da empresa em cumpri-las. A Maggi gerou uma receita entre 3 bilhões de francos (US$ 3,1 bilhões) e 4 bilhões de francos no ano passado, estima Jean-Philippe Bertschy, analista do Bank Vontobel. As massas e os caldos em tabletes são os produtos mais vendidos da marca, acrescentou.

Na Suíça, uma porção de caldo de carne Maggi contém 3,1 gramas de sal. A Organização Mundial da Saúde recomenda um consumo diário de até 5 gramas, porque o consumo elevado aumenta o risco de derrame cerebral. A maioria das pessoas consome cerca de duas vezes essa quantidade.

As empresas de alimentos reformularam cerca de 180.000 produtos em todo o mundo em 2016, contra cerca de 23.000 em 2014, segundo uma pesquisa do Consumer Goods Forum divulgada no ano passado. A Nestlé vem adaptando cerca de 8.000 produtos por ano. Equilibrar as exigências por alimentos mais saudáveis com as preferências dos consumidores pode ser uma tarefa complicada.

"As companhias não querem promover nenhuma mudança que possa fazer com que os clientes deixem de comprar seus produtos", disse Marion Nestle, professora de Nutrição da Universidade de Nova York, que não tem ligação com a fabricante da Maggi. "Se fizerem mudanças muito rapidamente, os clientes podem notar. A maioria das empresas está reduzindo o sal e o açúcar de forma lenta e imperceptível, mas pelo menos está reduzindo."

A reformulação, que também inclui a venda de mais produtos Maggi com doses extras de iodo, ferro e vitamina A, provavelmente estimulará a demanda, disse England. Com o lançamento de alguns itens já reformulados, as vendas da marca estão aumentando a um ritmo de mais de 3 por cento, disse ele. Para o futuro, a empresa espera crescimento de até 5 por cento.

Contudo, o setor poderia ser mais agressivo porque os clientes provavelmente aceitarão reduções ainda maiores no sal, segundo Leith Greenslade, CEO do JustActions, grupo que faz campanhas de saúde e sobre outros assuntos. Ela citou um estudo que mostra que um corte de 70 por cento na carne processada não gerou nenhuma reação significativa dos consumidores.

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