China revela ambições de energia limpa com projetos inovadores

Bloomberg News

(Bloomberg) -- As ambições da China de dominar novas tecnologias de energia estão se revelando na região de uma mina de carvão abandonada a uns 483 quilômetros ao noroeste de Xangai.

Lá, na província de Anhui, a Sungrow Power Supply construiu o maior parque solar flutuante do mundo, com 166.000 painéis sobre um lago criado quando uma mina próxima colapsou. Apesar de não ser uma ideia totalmente original - instalações similares funcionam no Japão, no Reino Unido e em Israel -, a escala do projeto representa um passo à frente para a China na criação do futuro da energia.

Nesta semana, o governo do presidente Xi Jinping está chamando atenção para essas iniciativas em uma reunião de Ministros da Energia do mundo inteiro que termina nesta quinta-feira em Pequim. Com planos de investir US$ 360 bilhões em energia renovável até 2020, a China tenta despontar como líder global no meio ambiente, em contraste com as críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, ao Acordo de Paris sobre mudança climática.

"Os chineses estão investindo muito em pesquisa e desenvolvimento de inovações", disse Helen Clarkson, CEO da The Climate Group, uma ONG que trabalha para fomentar tecnologias e políticas de energia limpa.

Trump disse diversas vezes que deseja estimular os combustíveis fósseis, especialmente o carvão, ao passo que a China está financiando uma série de projetos revolucionários que geram eletricidade sem poluir. Com enormes parques solares flutuantes como o de Anhui, grandes parques eólicos e planos ambiciosos para desenvolver reservas geotérmicas, o país mais populoso do mundo está se firmando como potência da tecnologia de energia limpa.

Projetos

Na província de Qinghai, no noroeste do país, a Huanghe Hydropower Development planeja um projeto de demonstração para integrar a eletricidade gerada por duas barragens hidrelétricas com turbinas eólicas e células fotovoltaicas. Um projeto parecido da Guoshen Group, uma operadora de centrais elétricas, pretende combinar energia eólica, solar e térmica com o armazenamento de eletricidade na região norte da Mongólia Interior.

As iniciativas da China fazem frente aos EUA, que alega que continuará sendo uma incubadora de inovação em energia embora o presidente esteja cortando verbas para startups do setor e desistindo do acordo de Paris de 2015. Em uma viagem à Ásia para representar Trump, o secretário de Energia dos EUA, Rick Perry, falou enfaticamente sobre as iniciativas dos EUA para estimular a tecnologia de energia e desafiou a China a assumir a liderança no assunto.

Há muito em jogo para ambos os países. O setor de energia limpa empregava 9,8 milhões de pessoas no ano passado, 1,1 por cento a mais que em 2015, encabeçado pela expansão das células fotovoltaicas, segundo o relatório anual da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena, na sigla em inglês). Empregos no setor podem chegar a 24 milhões no mundo inteiro em 2030 à medida que mais países trabalharem para combater a mudança climática, informou a Irena.

Na verdade, as inovações energéticas da China ainda estão longe de alcançar as aspirações do país.

A China tem 37 reatores nucleares em atividade, mas nenhum deles foi construído sem especialistas estrangeiros. O país também não produziu nenhuma empresa inovadora com um perfil similar ao da Tesla, da General Electric ou da Vestas Wind Systems.

Os EUA planejam manter sua vantagem competitiva "como temos feito historicamente", disse Perry aos jornalistas em Tóquio. "Chama-se inovação e tecnologia."

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