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Amor do Japão por Uridashi turcos coloca fim a namoro com Brasil

Ben Bartenstein e Yumi Teso

(Bloomberg) -- Os traders japoneses não estão mais a fim do Brasil.

  • As vendas de títulos denominados em reais para investidores familiares do Japão estão em ritmo de queda para o menor nível em oito anos, com apenas US$ 383 milhões lançados até agora neste ano, em comparação com US$ 2,9 bilhões em 2016. Enquanto isso, as vendas dos chamados uridashis denominados na lira turca já superaram o total do ano passado, totalizando US$ 517 milhões até o momento em 2017
  • A mudança dos investidores de varejo japoneses - os principais compradores de Uridashi - é emblemática das mudanças no sentimento global em relação aos dois países, que foram afetados pelo escândalo político. Enquanto a turbulência do Brasil prossegue e o presidente enfrenta pedidos de renúncia, a Turquia parece estar se estabilizando depois que uma eleição de abril entregou ao presidente Recep Tayyip Erdogan poderes disseminados, com a tentativa de golpe de estado de julho passado e a crescente tensão com a Rússia desaparecendo das manchetes
  • "Quando se trata da Turquia, qualquer mergulho parece ser uma oportunidade de investimento para investidores de varejo japoneses, mesmo que isso signifique lidar com riscos políticos", disse Shinji Kunibe, chefe de renda fixa da Daiwa SB Investments, com sede em Tóquio e que supervisionava cerca de US$ 51 bilhões de ativos no final de março
  • Com títulos domésticos oferecendo rendimento abaixo de zero, as famílias japonesas geralmente compram notas denominadas em moedas do mercado emergente, como o real e a lira - que rendem mais de 10% - para aumentar os retornos. Essa demanda permite que empresas das nações em desenvolvimento emitam uridashis no Japão a preços que não poderiam obter em outros títulos no exterior
  • A dívida denominada em lira parece mais atraente depois que a moeda se fortaleceu 3% neste trimestre, após nove anos consecutivos de queda em relação ao dólar norte-americano. Até agora, o banco central da Turquia resistiu aos apelos de Erdogan para reduzir os custos de empréstimos, mantendo os rendimentos da dívida turca elevados
  • O Brasil, por outro lado, tem cortado a taxa de juros à medida em que a nação busca abrir o caminho para sair da sua recessão mais profunda em um século
  • Embora as nações enfrentem perspectivas políticas turvas, a turbulência no Brasil está pior, de acordo com Lucy Qiu, analista-chefe da UBS Wealth Management, que supervisiona a estratégia de US$ 2,2 trilhões de ativos; ambos oferecem rendimentos atrativos, então os traders irão favorecer a moeda com menor volatilidade, disse ela.
  • Moody's rebaixou a perspectiva do Brasil para o negativo no mês passado, dizendo que o escândalo da corrupção que recai sobre presidente Michel Temer representa uma ameaça crescente para a recuperação da maior economia da América Latina; o líder de 76 anos obteve uma vitória na sexta-feira, quando o Tribunal Superior Eleitoral o absolveu da acusação de financiamento ilegal de campanha

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