Sim, o status social de seus pais influencia seu salário

Michael Heath

(Bloomberg) -- "Se você nasceu pobre, você vai morrer pobre", lamentou-se um político britânico seis anos atrás. Infelizmente, isso pouco mudou. O Reino Unido, juntamente com EUA, França e Itália, registra uma correlação elevada entre salários de pais e filhos, segundo relatório da Standard Life Investments. A relação também está presente nas economias escandinavas, na Austrália, na Alemanha e no Canadá, mas em menor medida.

O fenômeno cria desafios para os países mais afetados. Essas sociedades tendem a desperdiçar ou alocar mal o capital humano; os trabalhadores muitas vezes são menos motivados e, como resultado disso, menos produtivos; e os níveis de desigualdade superiores associados a essa situação prejudicam o crescimento econômico, mostra a pesquisa.

"Em praticamente todos os países para os quais há evidências disponíveis existe uma ligação clara entre o que os pais ganharam e as próprias perspectivas de ganhos", disse Jeremy Lawson, economista-chefe da Standard Life e autor principal do relatório. "Enfrentar essa baixa mobilidade social é um desafio. Não existe um solução definitiva global, porque cada país enfrenta problemas em seu próprio cenário institucional e político."

Uma primeira solução óbvia é a educação, incluindo investimentos em intervenções a crianças vulneráveis e o desenvolvimento de sistemas escolares que não separem alunos por habilidade. Mas o problema está profundamente enraizado.

Nos EUA, as três décadas de ganhos salariais reais lentos levaram os pesquisadores a buscarem respostas. Eles investigaram a proporção de pessoas de 30 anos que ganham mais do que os pais na mesma idade e descobriram uma tendência de queda significativa: apenas 50 por cento dos filhos nascidos na década de 1980 ganham mais do que os pais ganhavam quando tinham a mesma idade, contra quase 80 por cento dos filhos dos anos 1950. O declínio industrial é o grande vilão. Na região Centro-Oeste do país, apenas 41 por cento dos filhos nascidos em 1984 ganham mais do que os pais, contra 95 por cento daqueles que nasceram em 1940.

"Não é de admirar que as mensagens da campanha do presidente [Donald] Trump tenham sido tão bem recebidas em estados como Michigan, Ohio e Pensilvânia", disse Lawson.

Mas o Reino Unido é ainda mais rígido socialmente. Cerca de metade da vantagem econômica que os pais de renda elevada têm sobre os pais de baixa renda é transmitida aos filhos e uma análise da OCDE apontou que o Reino Unido está entre os países nos quais a formação socioeconômica parece ter o maior impacto no desempenho de um estudante.

Na Ásia se dá muita atenção ao aumento da desigualdade na China; aliás, entre as maiores economias do mundo, apenas o Brasil supera o país em termos de desigualdade de renda. Mas a China tem mobilidade social. Nas últimas quatro décadas, com o crescimento rápido e amplamente distribuído do país, menos famílias permaneceram no mesmo quintil de renda por longos períodos de tempo. Mas isso pode estar mudando com o amadurecimento da economia. "Os filhos provavelmente ganharão mais do que os pais quando adultos, mas está diminuindo a probabilidade de que subam de classe social", disse Lawson. "Nesse aspecto, talvez a China esteja ficando menos parecida com uma economia em desenvolvimento e mais com os EUA."

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