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Rússia é suspeita de hackear usinas elétricas dos EUA, dizem fontes

Michael Riley, Jennifer A. Dlouhy e Bryan Gruley

(Bloomberg) -- Hackers a serviço de um governo estrangeiro violaram recentemente pelo menos uma dúzia de usinas elétricas dos EUA, incluindo a instalação nuclear de Wolf Creek, no estado do Kansas, segundo representantes e ex-funcionários do governo americano, gerando o temor de que os atacantes estivessem à procura de vulnerabilidades na rede elétrica.

Os invasores podem estar se preparando para em algum momento interromper o fornecimento de energia do país, advertiram, observando que foi enviado um alerta geral às distribuidoras de energia há uma semana. A essa preocupação soma-se o fato de que os hackers se infiltraram recentemente em uma empresa não identificada que elabora sistemas de controle para equipamentos usados no setor energético, um ataque que as autoridades acreditam que possa estar relacionado.

A principal suspeita é a Rússia, segundo três pessoas familiarizadas com o esforço contínuo para expulsar os hackers das redes de computadores. Uma dessas redes pertence a uma antiga instalação de geração nuclear conhecida como Wolf Creek -- de propriedade da Westar Energy, da Great Plains Energy e da Kansas Electric Power Cooperative --, às margens de um lago perto de Burlington, no Kansas.

A possibilidade de conexão com a Rússia é particularmente preocupante, afirmam representantes e ex-funcionários do governo, porque os hackers russos já desativaram antes algumas partes da rede elétrica na Ucrânia e parecem estar testando ferramentas cada vez mais avançadas para interromper o fornecimento de energia.

Os ataques surgem em meio à escalada de tensões internacionais devido à conclusão das agências de inteligência dos EUA de que a Rússia tentou influenciar a eleição presidencial americana de 2016. Sabe-se que os EUA, que mantêm diversas frentes de investigação permanentes sobre as atividades da Rússia, possuem armas digitais capazes de interromper as redes elétricas de países rivais.

"Não damos atenção a essas mentiras anônimas", disse Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, em resposta a um pedido de comentário sobre o suposto envolvimento da Rússia.

Não ficou claro se o presidente dos EUA, Donald Trump, planejava falar a respeito dos ataques cibernéticos em sua reunião desta sexta-feira com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Em um discurso realizado anteriormente em Varsóvia, Trump criticou as "atividades desestabilizadoras" da Rússia e exortou o país a se juntar à "comunidade das nações responsáveis".

O Departamento de Segurança Nacional dos EUA e o FBI afirmaram que estão cientes de uma possível intromissão no setor de energia. O alerta emitido às empresas de energia citou atividades de hackers ocorridas desde maio.

"Não há indício de ameaça à segurança pública porque qualquer impacto potencial parece estar limitado às redes administrativas e comerciais", afirmaram as agências do governo americano em comunicado conjunto.

O Departamento de Energia também declarou que está trabalhando com as empresas de eletricidade e com as operadoras para melhorar a segurança e a resiliência da rede.

Representantes do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, o diretor de Inteligência Nacional e a Comissão Reguladora Nuclear preferiram não comentar o assunto. Enquanto a Bloomberg News aguardava respostas do governo, o jornal New York Times publicou que as estações de energia nuclear estavam sofrendo ataques de hackers.

--Com a colaboração de Charlotte Chilton

Versão em português: Patricia Xavier em Sao Paulo, pbernardino1@bloomberg.net.

Repórteres da matéria original: Michael Riley em Washington, michaelriley@bloomberg.net, Jennifer A. Dlouhy em Washington, jdlouhy1@bloomberg.net, Bryan Gruley em Chicago, bgruley@bloomberg.net.

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