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Americanos sobreviventes de tiros podem perder cobertura médica

Suzanne Woolley

(Bloomberg) -- Entre os sobreviventes de disparos de armas de fogo, Steve Scalise, de 51 anos, líder da maioria na Câmara de Representantes dos EUA, é um caso atípico. Essas vítimas tendem a ser homens negros de baixa renda com 15 a 24 anos. Mas Scalise, que é branco, compartilha uma característica fundamental com esses homens mais jovens: por ter recebido um tiro, ele agora tem uma condição preexistente aos olhos das empresas de planos de saúde.

Para a maioria das pessoas, esse status pode significar mais impacto financeiro com a reforma republicana à Lei de Cuidados Acessíveis (ACA, na sigla em inglês).

O grupo cada vez maior de americanos vítimas de disparos pode enfrentar custos mais elevados de plano de saúde e uma cobertura menor se o ACA for substituído por um projeto de lei que reflete os que estão pendentes no Congresso. Os sobreviventes poderiam enfrentar limites em dólares à cobertura, anuais ou para toda a vida, o que é proibido pelo ACA. O resultado poderia ser a morte para alguns e a ruína financeira para outros, uma vez que os custos dos cuidados médicos para toda a vida podem chegar a milhões de dólares. Os sobreviventes de baixa renda, que são a maioria das vítimas, contaram com a cobertura estatal expandida do Medicaid nos últimos anos. Alguns deles poderiam perder integralmente sua cobertura de saúde.

As consequências dessas mudanças, segundo um relatório publicado na quinta-feira pela Brady Campaign and Center to Prevent Gun Violence, é que os contribuintes e os consumidores com plano de saúde privado acabarão pagando boa parte do custo desse tratamento. A lógica do grupo que defende o controle de armas é que os centros de tratamento de emergência terão que compensar as dívidas dos pacientes sem plano de saúde aumentando os preços para aqueles que podem pagar e exigirão "maiores contribuições de outros programas financiados pelos contribuintes nos níveis local e estadual, o que resultará em tarifas maiores para os planos privados e em impostos mais altos".

Entre 2001 e 2015, ocorreram mais de 1 milhão de lesões não fatais por armas de fogo, segundo dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês). Cerca de 1.600 pessoas são tratadas em prontos-socorros americanos por semana, segundo o relatório da Brady. Apenas durante o fim de semana prolongado do feriado de 4 de julho, houve pelo menos 102 disparos em Chicago, com 87 sobreviventes, segundo o Chicago Tribune. Enquanto 34.000 pessoas morrem por disparos a cada ano, 81.000 pessoas sobrevivem, afirma o relatório da Brady, e suas necessidades médicas podem ser enormes.

A conta da hospitalização inicial de pessoas com ferimentos de bala entre 2006 e 2014 foi de mais de US$ 730 milhões por ano em média, segundo um estudo de 2017 da Universidade de Stanford. O custo médio por paciente ficou entre US$ 24.000 e US$ 32.000. Os valores não incluem reabilitação, o dinheiro perdido pela incapacidade de trabalhar, o impacto financeiro sobre as famílias nem visitas futuras ao hospital. Pelo ACA, a hospitalização inicial é coberta, assim como o acompanhamento. Dos custos dos disparos calculados no estudo da Universidade de Stanford, o Medicaid cobriu cerca de 35 por cento, e o Medicare, cerca de 6 por cento, para um total de 41 por cento.

É difícil definir o cálculo dos custos da assistência médica para os sobreviventes de disparos de armas de fogo, em parte porque uma agência governamental foi efetivamente proibida de pesquisar o tema.

Em 1996, uma emenda feita à lei orçamentária reduziu US$ 2,6 milhões da verba destinada aos CDC -- o valor que a agência havia gastado em pesquisas sobre danos causados por armas de fogo no ano anterior. A emenda do congressista republicano Jay Dickey, membro da Associação Nacional do Rifle dos EUA, estipulava que "nenhum dos recursos disponibilizados para prevenção e controle de lesões nos Centros de Controle e Prevenção de Doenças pode ser usado para promover ou defender o controle de armas".

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