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Novo medicamento da Roche promete impactar mercado da hemofilia

Naomi Kresge

(Bloomberg) -- O medicamento experimental da Roche Holding contra a hemofilia deverá arrebatar a participação de mercado dos remédios mais antigos da Shire e da Novo Nordisk após a realização de um teste que deu tranquilidade aos médicos em relação a sua segurança e mostrou que a droga poderia reduzir os sangramentos em 87 por cento.

Os resultados do emicizumab, testado pela Roche em um conjunto de pacientes formado por adolescentes e homens de um grupo difícil de tratar que havia desenvolvido resistência aos medicamentos padrão, provavelmente aliviarão as preocupações em relação aos efeitos colaterais e à morte de um paciente. Os resultados dos testes foram apresentados nesta segunda-feira na reunião da Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia (ISTH, na sigla em inglês), em Berlim, e publicados no periódico New England Journal of Medicine.

A Roche está sacudindo o mercado de hemofilia, de US$ 8 bilhões, na tentativa de ir além da oncologia. Os três maiores medicamentos contra o câncer da empresa farmacêutica suíça -- que deverão gerar mais de US$ 21 bilhões em receitas neste ano -- enfrentam a concorrência de cópias biossimilares mais baratas. Os resultados do teste apresentados hoje provavelmente mudarão o tratamento dos pacientes e tranquilizarão os médicos, preocupados com alguns coágulos de sangue observados durante o teste, disse Wolfram Ruf, diretor científico do Centro de Trombose e Hemostasia em Mainz.

"Este é um princípio completamente novo para o tratamento de distúrbios hemorrágicos", disse Ruf, que não participou do estudo e não recebeu financiamento de pesquisa da Roche. "Realmente abre portas e reduz o risco de sangramento."

A tranquilização dos médicos em relação à segurança resultará em uma aceitação mais rápida se a droga for aprovada, escreveram analistas do Jefferies antes da apresentação de segunda-feira. As vendas anuais máximas do emicizumab poderiam chegar a US$ 5 bilhões, segundo o Jefferies. As ações da Shire chegaram a cair 1,6 por cento em Londres, para 4.258 pence, e a Roche permaneceu praticamente inalterada no trading de Zurique.

Liminar da Shire

Todos os cinco participantes que exibiram coágulos no sangue como efeitos colaterais haviam tomado doses elevadas de outro medicamento contra hemofilia juntamente com o emicizumab por mais de 24 horas, disse Roche. O outro medicamento pertence a uma classe conhecida como concentrado de complexo protrombínico ativado, ou aPCC, que inclui o Feiba, da Shire.

A Shire conseguiu uma liminar contra a Roche em um tribunal alemão, afirmando que a conexão de todos os coágulos sérios a altas doses do Feiba feita pela empresa suíça no teste é enganosa. "Pedimos que tornem transparentes os dados disponíveis", disse Juliana Dierks, chefe do departamento de hematologia da fabricante de medicamentos. A forma como os dados foram apresentados é "uma caracterização completamente errada", disse ela.

O emicizumab, também conhecido como ACE910, é um anticorpo que imita a ação do fator de coagulação necessário para interromper o sangramento. Antigamente os médicos contavam com poucas opções para prevenir sangramentos em pacientes hemofílicos que não toleravam o tratamento padrão, e dependiam de dois tipos de agentes bypassing para combater sangramentos assim que começavam. O NovoSeven, da Novo Nordisk, o outro tipo de agente bypassing, não havia sido tomado por todos os pacientes que apresentaram coágulos sérios no teste.

Versão em português: Patricia Xavier em Sao Paulo, pbernardino1@bloomberg.net.

Repórter da matéria original: Naomi Kresge em Berlin, nkresge@bloomberg.net.

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