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'Comprar e comprar' não é mais o mantra do turista chinês

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Eles continuam viajando em massa -- mas deixaram de comprar em abundância.

Depois de impulsionar as vendas de varejistas no exterior durante a última década com uma programação turística orientada para as compras, os visitantes chineses já não estão mais voltando para casa com as malas abarrotadas como antigamente.

Uma nova pesquisa da empresa de consultoria Oliver Wyman mostra que o número de turistas e as despesas de férias dos chineses continuaram subindo no ano passado, embora as compras durante viagens ao exterior tenham caído 17 por cento em relação ao ano anterior.

O turista chinês médio gastou cerca de 6.705 yuans (US$ 986) em compras ao viajar, contra 8.050 yuans em 2015. Mas as despesas gerais das férias -- incluindo hotéis e passeios -- aumentaram 3,5 por cento, de 19.635 yuans para 20.317 yuans, de acordo com a pesquisa com 2.000 viajantes do continente.

A mudança dos hábitos de consumo está abalando os varejistas, das lojas de departamento parisienses às lojas japonesas de produtos sem impostos e joalherias de Hong Kong. No entanto, um número maior de chineses mais ricos pode criar outras oportunidades para operadores de lazer e entretenimento em destinos populares do exterior.

"Empresas do mundo todo precisam ajustar suas estratégias para pensar em como capturar o dinheiro do novo turista chinês", disse Hunter Williams, sócio da Oliver Wyman em Xangai. "Agora é menos shopping e mais parque nacional."

No plano interno, o desejo crescente de recreação da classe média deu impulso às receitas da indústria de mídia e entretenimento do país, que aumentaram mais de 70 por cento nos últimos cinco anos, para US$ 204 bilhões.

Um dos motivos da mudança é que o acesso a bens estrangeiros na China continental se tornou mais fácil devido ao próspero mercado transfronteiriço de comércio eletrônico, de US$ 60 bilhões. Os itens importados agora podem ser encomendados pela internet e entregues até mesmo em apenas um dia, muitas vezes isentos dos impostos cobrados sobre os produtos das prateleiras das lojas. Isso reduziu a prática de comprar no exterior para revender localmente e a pesquisa mostrou que essas revendas caíram de 8 por cento dos gastos em compras em 2015 para 3 por cento.

Os gastos dos chineses no exterior continuam sendo os mais altos do mundo. Em 2016, os viajantes do país asiático gastaram US$ 261 bilhões, um quinto do total mundial, frente a US$ 249,8 bilhões em 2015, de acordo com a Organização Mundial do Turismo. Mas a parcela de contribuição das compras caiu de 41 por cento das despesas gerais de viagem em 2015 para 33 por cento, segundo a pesquisa da Oliver Wyman.

Casas de luxo, como LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton e Cie Financière Richemont, e a cervejaria japonesa Kirin Holdings apontaram para as pressões sobre as vendas devido à menor quantidade de compradores chineses nas lojas globalmente, disse a analista de varejo da Bloomberg Intelligence Catherine Lim.

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