Argentina é a última oportunidade 'incrível' para aéreas

Fabiola Moura e Eduardo Thomson

(Bloomberg) -- Veteranos do setor de aviação estão fazendo fila para voar nos céus da Argentina.

O vasto território do país e uma população trabalhadora jovem concentrada em Buenos Aires com laços com suas cidades natais distantes são dois atrativos. Junte-se a eles um governo disposto a abrir mercados praticamente inexplorados -- hoje atendidos quase exclusivamente pela estatal Aerolíneas Argentinas -- e o potencial é enorme.

É nisso que Michael Cawley está apostando. O ex-diretor operacional da Ryanair Holdings vê semelhanças entre a Argentina de hoje e a Polônia do começo da década de 2000, países com populações comparáveis onde passagens caras e uma concorrência limitada prevaleciam. Após a chegada das companhias aéreas de baixo custo, o número de viagens de avião na Polônia triplicou.

"A Argentina é provavelmente o último país desse tipo no planeta onde existe uma oportunidade incrível", disse Cawley, atualmente um investidor na empresa aérea de baixo custo Flybondi. "As métricas na Argentina mostram uma oportunidade incomparável. Muito, mas muito melhor do que a que a Ryanair encontrou na Europa."

Cawley, junto com Michael Powell, ex-executivo da Wizz Air Holdings, e outros investidores da Argentina, Europa e Ásia, acabam de colocar US$ 75 milhões na Flybondi, em uma injeção liderada pelo Cartesian Capital Group, fundo de private equity norte-americano de US$ 2,6 bilhões. E não é só a Argentina que tem esse tipo de oportunidade -- como ficou evidenciado com a chegada de oito companhias de descontos na região, entre elas a Viva Air Perú -- financiada por Declan Ryan, cofundador da Ryanair -- e a JetSMART no Chile.

Planos

A Flybondi obteve o direito de operar 85 rotas no segundo maior país da América do Sul e projeta começar com 12 neste ano. A empresa visa oferecer passagens por um terço do preço das rivais -- o equivalente a uma passagem de ônibus -- e espera ficar com 20 por cento do mercado em cinco anos. Sua frota terá 30 Boeing 737-800 com até 189 assentos.

Ainda restam muitos desafios. Muitas companhias aéreas novas faliram, mesmo em países com menos instabilidade econômica e política do que a Argentina. No mês passado, a MSCI disse que ainda não estava convencida de que as reformas promulgadas pelo presidente Mauricio Macri eram suficientemente sólidas. Mas os investidores dizem que a vontade política do governo de abrir o mercado é um grande fator positivo.

A Flybondi projeta que o número de passageiros na Argentina quadruplicará para 80 milhões em 10 anos. No vizinho Brasil, esse número mais do que triplicou em 13 anos após o relaxamento de restrições sobre as passagens. No México, o número de passageiros aumentou 60 por cento em 11 anos após a chegada das operadoras de baixo custo.

Exposição

A Latam Airlines, a maior operadora da região em valor de mercado, é a mais exposta à entrada de novos participantes, de acordo com o Banchile-Citi. Cerca de 42 por cento de sua receita vem da América Latina, excluindo o Brasil, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

Os investidores das novas operadoras de desconto apostam que os voos mais baratos e os tempos de chegada mais rápidos vão evitar que as pessoas façam longas viagens de ônibus.

"Quando a população de um país já provou as empresas aéreas de baixo custo e a liberdade que elas dão, não tem volta", disse Powell.

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