BCE deve usar decisão de julho para tranquilizar investidores

Carolynn Look e Andre Tartar

(Bloomberg) -- o Banco Central Europeu deve mesmo reverter o estímulo monetário no ano que vem, mas dificilmente arrastará o processo, acreditam economistas.

É provável que o BCE opte por deixar guardado seu poder de fogo nesta semana e espere até setembro para desacelerar o programa de compra de títulos, segundo pesquisa da Bloomberg. A expectativa é que a reversão se inicie em janeiro e leve nove meses (antes a projeção era de sete meses), com reduções futuras anunciadas paulatinamente.

Os participantes da pesquisa estão divididos quanto à possibilidade de a autoridade monetária retirar ou não do anúncio de quinta-feira a promessa de ampliar a flexibilização quantitativa (QE) se necessário.

A pesquisa sugere que a reunião do Conselho Geral em Frankfurt, nos dias 19 e 20 de julho, será sobretudo uma oportunidade para discutir o tamanho do espaço para reduzir estímulos após mais de quatro anos de expansão da economia. A inflação ainda está abaixo da meta do BCE, mas o presidente da instituição, Mario Draghi, e alguns colegas dele afirmaram nas últimas semanas que talvez seja possível adaptar as medidas existentes sem ameaçar a recuperação.

"O BCE está tentando sair do QE sem uma reação violenta dos mercados. Isso significa que a redução será lenta e que continuará sinalizando que as elevações de juros estão relativamente distantes", disse o economista Nick Kounis, do ABN Amro. "Na reunião de julho, o BCE pode dar sinal de que não sairá de cena se as condições financeiras ficarem apertadas demais."

Uma opção para as autoridades seria mudar o palavreado sobre as compras de ativos. A postura atual do BCE é que haveria aumento do tamanho e/ou duração das compras em caso de deterioração da perspectiva econômica.

Quase metade dos economistas sondados afirma que o Conselho Geral usará a reunião desta semana para retirar o viés de flexibilização.

A instituição já começou a mudar a linguagem. Na reunião do mês passado, o BCE afirmou que os riscos ao crescimento econômico agora estão "amplamente equilibrados" e não pendendo para uma piora e que as autoridades não mais esperam novos cortes de juros.

Desde então, Draghi declarou que o BCE talvez consiga acompanhar a recuperação ao "ajustar os parâmetros de seus instrumentos de política", mas mantendo a postura de acomodação praticamente inalterada. Essas declarações provocaram disparada dos rendimentos dos títulos e valorização do euro e foram repetidas por um integrante do Comitê Executivo, Benoit Coeure, e pelo presidente do banco central francês, François Villeroy de Galhau, que destacou a decisão do BCE em dezembro de anunciar a redução das compras mensais de títulos diante do recuo dos riscos de deflação.

Um número maior de economistas acredita que o BCE manterá essa abordagem no futuro. Em vez de a instituição anunciar uma trajetória predefinida de cortes nos juros, 65 por cento deles afirmam que o QE será desmontado passo a passo. No mês passado, essa parcela era de 56 por cento dos entrevistados.

O BCE segue longe da meta de trazer a inflação de volta sustentavelmente para pouco abaixo de 2 por cento. O índice ficou em 1,3 por cento nos 12 meses até junho e a projeção dos economistas é de apenas 1,6 por cento em 2019. As autoridades estão particularmente preocupadas com o fato de a lentidão dos reajustes salariais segurar os preços.

"O maior teste é se a melhora dos dados econômicos em toda a região e uma perspectiva melhor de crescimento podem entregar ganhos adicionais no mercado de trabalho, acelerando o crescimento dos salários nominais e a contínua recuperação do poder de definição de preços pelas empresas", disse o economista Raj Badiani, da IHS Markit. Segundo ele, estes são os "principais componentes para garantir que o núcleo da inflação suba para um patamar mais elevado."

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