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Frenesi da maconha pode acabar muito mal no Canadá

Jen Skerritt

(Bloomberg) -- Há uma pergunta inconveniente que persegue todas as empresas do mercado de maconha que estão surgindo entre a Colúmbia Britânica e Terra Nova e Labrador.

Qual o tamanho do interesse dos canadenses pela erva?

Um ano antes da legalização da maconha recreativa no Canadá, há uma explosão de empresas que cultivam a erva. Pelo menos 10 firmas do setor da maconha listaram novas ações neste ano na TSX Venture Exchange e na Canadian Securities Exchange. Cerca de 51 empresas receberam luz verde para cultivar maconha e 815 candidatas estão na fila. Os números podem ser suficientes para ampliar a produção de ervas do país em mais de dez vezes.

É aí que os céticos veem problemas. "Se você pergunta às pessoas hoje por que elas não usam maconha, uma pequena porcentagem dirá 'porque é ilegal'", disse Neil Boyd, criminologista da Universidade Simon Fraser em Vancouver. "Em muitos aspectos, a demanda pode estar sendo superestimada."

Usuários e produtores de longa data insistem que ele está errado, mas os investidores não têm tanta certeza disso. A produtora MedReleaf caiu 28 por cento no mês passado na pior estreia de um IPO canadense em 16 anos em meio ao temor de que as ações das empresas do setor estejam sobrevalorizadas. As ações da Canopy Growth Corp., a primeira startup bilionária do país no setor, caíram 21 por cento nos últimos três meses.

O North American Medical Marijuana Index, que monitora as principais ações do setor nos EUA e no Canadá, caiu 21 por cento desde que o governo do primeiro-ministro Justin Trudeau revelou, em abril, o plano de legalizar a droga até julho de 2018, 16 anos após a permissão para uso medicinal no Canadá.

É claro que parte do declínio pode ser atribuída à situação nos EUA. Muitos membros do governo de Donald Trump, em particular o procurador-Geral Jeff Sessions, não são amigos do setor. Para as empresas canadenses, o risco não é político.

"Parece haver um pouco de fadiga dos investidores", disse Jason Zandberg, analista da PI Financial. Ele disse que os investidores estão tendo dificuldades para diferenciar os produtores, novos e antigos, e o que poderia dar vantagens competitivas a eles.

Isso é de se esperar, segundo os otimistas em relação ao mercado da maconha, em um mercado totalmente novo que ainda sequer chegou. O Parlamento ainda não aprovou a lei sobre a maconha recreativa (embora haja poucas dúvidas de que o fará). Em seguida, o governo federal terá que redigir as regras sobre a taxação e cada província precisará decidir como regular a distribuição.

"Nada será perfeito instantaneamente", disse Jon Bent, produtor autorizado de maconha medicinal que cultiva plantas em sua fazenda de 4,4 hectares nos arredores de Winnipeg há cinco anos. "São passos curtos -- e o setor está se mexendo rapidamente."

A dúvida é se o setor não está avançando muito rapidamente, considerando a variedade de estimativas sobre a quantidade de erva recreativa que os canadenses acabarão ingerindo regularmente. Algumas projeções fundamentadas apontam que cerca de 15 por cento dos canadenses consomem maconha atualmente, legalmente ou não. A fatia representa 5,4 milhões de pessoas, aproximadamente a população do estado do Colorado, nos EUA, que aprovou a maconha recreativa em 2014. As vendas de maconha medicinal e recreativa aumentaram 56 por cento no ano passado, para quase US$ 1 bilhão, segundo a Cannabase, operadora do maior mercado do estado.

--Com a colaboração de Jennifer Kaplan

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