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Menos farinha, mais ração: seca transforma trigo dos EUA em feno

Sydney Maki e Megan Durisin

(Bloomberg) -- As plantações de trigo atrofiadas na fazenda de Robert Ferebee na Dakota do Norte estavam nas piores condições vistas em quase três décadas. Ao invés de esperar até o final de julho ou o início de agosto para colher a safra, Ferebee decidiu no mês passado cortar seus prejuízos e suas plantações.

Uma seca na parte norte das Grandes Planícies dos EUA forçou produtores como Ferebee a concluir que seu trigo seria mais valioso como ração de gado do que como farinha de padeiro. Eles estão colhendo a safra mais cedo ? em alguns casos, antes de que os grãos estejam completamente formados ? para evitar mais danos, e depois empacotam os brotos e folhas em fardos tipo feno, em vez de mandá-los a uma debulhadora.

Embora já estivesse previsto que a produção dos EUA diminuiria neste ano, porque os produtores plantaram a menor quantidade de hectares em um século, o período de estiagem pode afetar ainda mais a produção. Os preços dispararam. Quase metade da safra de trigo de primavera do país é cultivada em partes de Montana e das Dakotas afetadas por secas extremas durante semanas, de acordo com dados do Monitor de Seca dos EUA.

"Eles estão ficando sem opções", disse Ryan Buetow, especialista em sistemas de cultivo da Extensão da Universidade Estadual de Dakota do Norte em Dickinson. Sete de dez agricultores do sudoeste do estado vão enfardar pelo menos uma parte de suas colheitas, disse ele. "Os rendimentos serão tão baixos que não vale a pena colher."

O principal risco é o trigo de primavera, uma variedade com alto teor de proteína cultivada principalmente nos estados da região norte dos EUA, que responde por cerca de um quarto da produção de trigo dos EUA, o segundo maior exportador do mundo. Dakota do Norte é o maior produtor, e as condições dos campos no estado será o foco dos participantes da turnê agrícola anual do Conselho de Qualidade do Trigo, que começa na próxima semana.

Amostras aleatórias

Cerca de 70 participantes da turnê, incluindo moleiros, padeiros e comerciantes de grãos, coletarão amostras aleatórias de campos do estado durante três dias e depois farão uma estimativa de rendimento. Mesmo se o clima melhorar, a produção pode ficar abaixo do previsto pelo governo.

Excetuando-se o trigo duro, a produção de trigo da primavera deveria cair 21 por cento em relação a 2016, projetou o Departamento de Agricultura dos EUA na semana passada. O governo estipulou o rendimento nacional em 99,5 bushels por hectare, menos que os 1.166.3 bushels por hectare registrados no ano passado.

Rajesh Singla, analista do Société Générale, afirma que a queda poderia ser ainda maior. A safra "continua diminuindo e a possibilidade de recuperação é menor a cada dia", disse Singla em um relatório de 7 de julho, em que fixou os rendimentos em 86,4 bushels por hectare. A Planalytics, uma analista de safras com sede em Berwyn, Pensilvânia, estima a média nacional em 96,3 bushels por hectare e projetou que Dakota do Norte terá menos de 91,4 bushels por hectare.

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