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Pemex prospera com gasolina mais cara que mexicanos odeiam

Adam Williams e Amy Stillman

(Bloomberg) -- Os mexicanos foram às ruas para protestar contra os preços mais altos da gasolina. A Pemex está prosperando graças a eles.

A gigantesca petroleira estatal registrou seu terceiro lucro trimestral consecutivo na quinta-feira após quatro anos de prejuízos. A melhora se deve em grande parte aos preços mais altos dos combustíveis, disse o diretor financeiro da empresa, Juan Pablo Newman.

"Os preços de venda da gasolina e do diesel estão sendo gradualmente liberalizados em todo o país", disse Newman.

Após encerrar o monopólio estatal do México na indústria do petróleo, em 2013, o presidente Enrique Peña Nieto deu um passo adiante em suas ambiciosas reformas neste ano aumentando os preços da gasolina e do diesel na bomba para atrair importações e concorrência externa. O aumento de 20 por cento aplicado em janeiro, apelidado de "gasolinaço", gerou protestos em todo o país, mas agora está compensando para a Pemex.

Os preços estão mais altos em um momento em que as refinarias antigas da empresa não conseguem atender a demanda do país, e com isso a empresa precisou ampliar as importações de gasolina e de diesel para venda nos postos de combustíveis.

Enquanto isso, o CEO José Antonio González Anaya reduziu o número de funcionários da empresa, cortou custos, vendeu ativos não-estratégicos e destacou parceiros externos para auxiliar na produção e no refino de petróleo. A transformação está ajudando a compensar os preços medíocres do petróleo, a queda da produção e o ônus do serviço da dívida de cerca de US$ 100 bilhões.

Liberalização do combustível

Até o fim do ano o governo está autorizado a continuar a emitir decretos para regular os preços máximos da gasolina e do diesel no varejo, levando em consideração os preços internacionais dos combustíveis, entre outros fatores. A partir de 2018, os preços serão determinados livremente pelo mercado.

"A liberalização do combustível envia os sinais certos ao mercado sobre a demanda e a prioridade da oferta, não apenas para a Pemex, mas também para o resto dos interessados em abastecer o mercado", disse Ixchel Castro, analista sênior da consultoria de energia Wood Mackenzie na Cidade do México. "A medida aponta que há uma área de oportunidade para melhorar as operações das refinarias da Pemex para torná-las competitivas em relação aos preços da gasolina nos EUA."

A Petróleos Mexicanos, como a empresa é formalmente conhecida, registrou lucro líquido de 32,8 bilhões de pesos (US$ 1,9 bilhão) no segundo trimestre, contra um prejuízo de 83,4 bilhões de pesos no ano anterior.

As vendas domésticas de gasolina da Pemex aumentaram 37 por cento no trimestre, para mais de US$ 5,9 bilhões, segundo dados da empresa. As vendas domésticas de diesel subiram 62 por cento, para mais de US$ 2,9 bilhões.

Em junho, a petroleira informou que não renovará 2.785 contratos de trabalho temporário em sua divisão de exploração e produção. Em seu website, entre os ativos à venda para o público em geral estão picapes e equipamentos para sucata. Estão à disposição também participações em refinarias e plantas de fertilizantes da empresa.

A melhora do preço do petróleo em relação ao ano passado e a valorização do peso mexicano em relação ao dólar também ajudaram a melhorar os lucros, disse Newman.

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