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Apple tenta impedir que nome de futuros produtos seja revelado

Mark Gurman

31/07/2017 12h05

(Bloomberg) -- Um dos segredos mais bem guardados da Apple? O nome do próximo iPhone. Sabe-se que o dispositivo será lançado ainda neste ano, com um corpo de aço inoxidável e vidro, uma tela melhor e um sensor 3D veloz capaz de reconhecer seu rosto. Ele pode se chamar iPhone X, em comemoração ao décimo aniversário do icônico produto, ou simplesmente iPhone 8. Mas Tim Cook não quer que saibamos com certeza antes de ele subir ao palco para anunciar o nome.

Nos últimos anos, investigadores obcecados com a Apple conseguiram descobrir nomes e detalhes dos produtos da empresa através de buscas em escritórios de marcas comerciais em todo o mundo. Mas o desafio tornou-se exponencialmente mais difícil graças a uma mudança de regras, que chega em boa hora, no escritório registro de marcas da Jamaica e a algumas manobras inteligentes em Liechtenstein.

Primeiro, um pouco de contexto. A Apple empregou diversas táticas para manter o nome de seus produtos em segredo ao longo dos anos. Uma delas é simplesmente registrar o nome através de uma empresa de fachada de Delaware. Foi o que a empresa fez quando se preparava para lançar o iPad em 2010. Mas a marca comercial também foi solicitada em grandes regiões, como a Ásia, e quando Steve Jobs revelou o iPad em um evento extravagante em São Francisco, os pretensos detetives já haviam espalhado o nome do produto pela internet.

Uma abordagem mais eficaz também utilizada por Google, Amazon e outras empresas de tecnologia envolve registrar nomes em países estrangeiros sem bancos de dados de marcas comerciais pesquisáveis. A tática vale-se de uma norma na seção 44(d) da Lei de Marcas Comerciais dos EUA que permite que as empresas solicitem uma marca registrada em um país e obtenham prioridade de registro nos EUA se o pedido for realizado até seis meses depois da data de apresentação original no exterior. Dos 177 países que cumprem as regras dos EUA, 66 não têm bancos de dados de marcas comerciais on-line, como Trinidad e Tobago, Barbados, Peru e Jamaica. Este último se tornou um dos esconderijos favoritos de empresas como a Apple.

No ano passado, um advogado da região de Dublin, chamado Brian Conroy, sabendo que a Apple usava a Jamaica para registrar suas marcas comerciais, decidiu ver se poderia conseguir informações sobre futuros produtos. Por que um advogado irlandês faria tal coisa, sem uma maneira óbvia de monetizar a informação? Em um e-mail, ele citou três razões: "Porque eu posso, porque eu gosto muito do pequeno vislumbre do futuro que as marcas registradas recentemente podem oferecer [e] simplesmente porque é uma forma de autopromoção". Conroy supõe que a fama internacional pode ajudá-lo a conquistar "novos clientes legais que talvez não queiram um advogado chato em um processo".

Alguns meses atrás, a Apple solicitou registrar a marca comercial de seu novo alto-falante com Siri em Liechtenstein ? a primeira vez em que a empresa usou o principado para solicitar prioridade de marca registrada nos EUA. Embora o principado tenha um banco de dados de marcas on-line, os nomes dos produtos só aparecem depois que o pedido de marca for aprovado, um processo que leva tempo. Como resultado, o mundo não soube o nome do gadget ? HomePod ? antes do lançamento, em junho. A Apple não quis comentar.

"Desconfio que a Apple continuará pulando de jurisdição em jurisdição para fugir dos curiosos", disse Conroy. "Encontrar as marcas comerciais dos nomes de futuros produtos será sempre um tiro no escuro."

Para entrar em contato com o repórter: Mark Gurman em San Francisco, mgurman1@bloomberg.net.

Para entrar em contato com a editora responsável: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net.

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