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Postura de Trump contra diversidade incita guerra cultural

Laura Colby e Erik Larson

(Bloomberg) -- Podem dizer que o atual governo dos EUA se opõe à diversidade.

O presidente dos EUA, Donald Trump, está a ponto de reverter esforços de décadas para empoderar e proteger as minorias. Políticas de ação afirmativa em faculdades e universidades estão sendo analisadas pelo Departamento de Justiça. Trump defende a imposição de limites à imigração de pessoas que não falam inglês e propôs a proibição de pessoas transgêneros nas Forças Armadas. Ele diz que está na hora de acabar com o politicamente correto.

Mas os defensores dos direitos civis prometem briga em todos os casos ? e é provável que uma Corte Suprema dividida filosoficamente seja o árbitro final nas questões mais controversas.

Os defensores de Trump dizem que a mudança de tom é bem-vinda. "A diversidade é um modo de justificar a discriminação ? contratar pessoas com base na raça é uma violação da lei federal", disse Hans von Spakovsky, advogado da Heritage Foundation, conservadora. "Isso é o que o governo anterior queria ignorar."

Os efeitos estão repercutindo em todo o país, e trabalhadores estão questionando políticas corporativas em prol da diversidade. Um engenheiro do Google escreveu um memorando argumentando que os homens são biologicamente mais aptos que as mulheres para trabalhar em tecnologia, o que lhe rendeu o apoio do Breitbart News ? o site de direita que era administrado pelo estrategista-chefe de Trump, Stephen Bannon. O Google demitiu o funcionário nesta semana.

Comentaristas conservadores, como Bill O'Reilly e Glenn Beck, e sites, como Drudge Report e Breitbart, criticaram a situação política durante anos. A novidade é que esses guerreiros da cultura agora contam com o apoio do cargo mais alto do país no ataque aos defensores dos direitos.

"Precisamos deixar de ser politicamente corretos", escreveu Trump no Twitter em junho, criticando a resposta do prefeito de Londres a um ataque terrorista atribuído a islamitas radicais que deixou sete mortos. "Se não ficarmos espertos, isso só vai piorar."

Repreensão a Obama

A postura de Trump é atraente para uma base majoritariamente branca, que sentiu que foi deixada para trás em um país onde se tornará minoria até meados do século. As políticas de Trump também são uma forte repreensão ao antecessor Barack Obama, o primeiro presidente negro e um notório defensor da diversidade.

Trump "está mostrando um desprezo radical pelas conquistas dos direitos civis nos últimos 50 anos", disse o reverendo Jesse Jackson, que marchou em 1965 com Martin Luther King Jr. em Selma, Alabama, e organizou a Rainbow Coalition em 1984. "Todos os elementos de inclusão estão sendo atacados. É uma revolução contracultural."

Embora a maioria dos americanos diga que uma população cada vez mais diversificada é algo positivo ? a porcentagem de brancos caiu de 84 por cento em 1965 para 62 por cento em 2015, de acordo com o Pew Research Center ?, existe uma profunda divisão política. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Pew no ano passado, 78 por cento dos democratas concordaram que os imigrantes fortaleceram o país, em comparação com 35 por cento dos republicanos.

Essa divisão ficou particularmente acentuada depois que Trump anunciou em janeiro planos de proibir a entrada nos EUA de pessoas de sete países de maioria muçulmana. A medida foi apoiada por 81 por cento dos republicanos e por apenas 9 por cento dos democratas, de acordo com uma pesquisa realizada em fevereiro pelo Pew.

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