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Cresce a participação feminina no mercado de trabalho nos EUA

Michelle Jamrisko

(Bloomberg) -- As mulheres estão retornando ao mercado de trabalho nos EUA em maior número neste ano, o que ajuda a interromper o declínio agudo na chamada taxa de participação. O tamanho do apoio adicional que elas poderão oferecer à economia a longo prazo dependerá da continuidade de seu envolvimento.

A proporção de mulheres de 25 a 54 anos empregadas ou que estão procurando emprego ativamente atingiu o maior patamar em sete anos em julho, enquanto a taxa entre os homens na mesma idade subiu apenas ligeiramente, e pela primeira vez desde janeiro, segundo dados do Escritório de Estatísticas do Trabalho dos EUA, divulgados na semana passada. O aumento de 0,3 ponto percentual para as mulheres reduziu a diferença entre os dois grupos para 13,2 pontos, a menor em registros que remontam a 1948.

As tendências divergentes entre homens e mulheres desde o fim de 2015 colocaram a taxa de participação global do país em 62,9 por cento no mês passado, perto do patamar mais baixo desde os anos 1970.

A participação feminina no mercado de trabalho dos EUA, que diminuiu juntamente com a dos homens no rescaldo da Grande Recessão, vem novamente apresentando tendência de alta nos últimos dois anos. As mulheres mais jovens da faixa entre 25 e 54 anos, em especial, estão chegando ao mercado de trabalho. O fenômeno coincidiu com o crescimento mais rápido do emprego em setores tradicionalmente dominados por mulheres, como saúde e educação.

A queda da participação entre os homens trabalhadores na faixa entre 25 e 54 anos se transformou em área de foco do governo do presidente Donald Trump. Trump falou em campanha sobre reanimar setores tradicionalmente dominados pelos homens, como exploração de carvão e manufatura, que tiveram dificuldades frente à globalização maior. Em meio à alta recorde na abertura de postos de trabalho, o presidente tem enfatizado que os americanos precisam estar abertos à possibilidade de se realocarem para trabalhar. A mobilidade atingiu o menor patamar da história, segundo dados do Censo dos EUA compilados desde 1948.

Em um momento em que Trump tenta atingir sua meta de crescimento econômico de 3 por cento a 4 por cento, a participação é importante porque é uma das poucas formas básicas de levar a expansão além dos rotineiros 2 por cento, com mais trabalhadores e maior produção por trabalhador. Os indicadores de produtividade têm mostrado lentidão, juntamente com os de participação.

Peter Mueser, professor de Economia da Universidade do Missouri, em Columbia, ainda vê uma necessidade latente de cura da última recessão, particularmente em bolsões do estado do Centro-Oeste do país, que têm uma participação masculina na faixa de 25 a 54 anos inferior à média. A melhora geral da economia não coincidiu com uma redução similar do uso de benefícios do governo, entre eles o Programa de Assistência à Nutrição Suplementar, no Missouri, disse ele.

Embora o envolvimento maior das mulheres tenha impedido uma queda mais acentuada da taxa de participação, fatores cíclicos e estruturais estão limitando o progresso.

Os custos proibitivos com creches tornam a decisão dos pais de retornar ao trabalho mais difícil, e os americanos da faixa entre 25 e 54 anos estão sentindo o peso maior de cuidar de uma população que está envelhecendo. A epidemia de opioides também ajuda a explicar por que uma parte do mercado de trabalho é considerada não empregável. E os limites à imigração impostos pelo governo Trump podem conter o crescimento do mercado de trabalho em setores como a agricultura e a construção, dominados por estrangeiros.

"O peso do envelhecimento não vai desaparecer, o que significa que é preciso que haja mais potencial de subida" com as tendências recentes, escreveram economistas do UBS liderados por Robert Sockin em nota técnica de 8 de agosto. Isso incluiria participação maior entre os trabalhadores mais jovens em um momento em que as matrículas do Ensino Superior deixaram de subir, e em meio à queda da porcentagem de norte-americanos com deficiência que estão fora do mercado de trabalho, escreveram.

Mas uma taxa de participação estável provavelmente também dependeria de um aumento contínuo do envolvimento das mulheres e de uma pausa, no mínimo, no declínio entre os homens entre 25 e 54 anos, escreveram os economistas do UBS.

Há razões para acreditar que as mulheres de 25 a 54 anos continuarão ampliando sua participação no mercado de trabalho.

Lucas Puente, economista-chefe da Thumbtack, vê avanços em todos os setores nos quais sua empresa opera conectando consumidores e trabalhadores que oferecem serviços profissionais. Os homens ainda representam cerca de 60 por cento das 250.000 pequenas empresas ativas que anunciam seus serviços na Thumbtack, mas as mulheres estão ganhando terreno mais rapidamente, mesmo em profissões tradicionalmente dominadas pelos homens. Entre os 10 serviços realizados por mulheres de mais rápido crescimento na Thumbtack nos últimos 12 meses estão os de encanador, eletricista e carpinteiro, segundo dados da pesquisa da empresa.

Uma mudança cultural entre os empregadores dos EUA, a tendência de conceder mais licenças-maternidade e tempo livre, está ajudando a atrair mais mulheres para o mercado de trabalho, inclusive em profissões tradicionalmente dominadas pelos homens, disse ele.

"A longo prazo, espero que as mulheres continuem diminuindo a diferença" em relação aos homens em termos de participação no mercado de trabalho, disse Jed Kolko, economista-chefe da Indeed, um site de anúncios de emprego.

"A demanda dos empregadores por diferentes tipos de emprego está se voltando mais àqueles tradicionalmente dominados pelas mulheres, e muitas das ocupações com projeção de crescimento mais rápido na próxima década estão no setor de saúde e em outros historicamente com maior propensão a serem dominados pelas mulheres", disse Kolko.

A escalada atual da participação das mulheres, e particularmente das mulheres mais jovens com menos experiência, também pode ser vista nos dados sobre a remuneração dos trabalhadores. O avanço pode ajudar a explicar por que o aumento dos salários tem sido lento após oito anos de expansão.

"Se, na margem, as pessoas que estão chegando ao mercado de trabalho são mulheres e há uma diferença salarial entre os gêneros, é preciso adicionar isso à lista de coisas que estão reprimindo o crescimento dos salários", disse Julia Coronado, presidente da Macropolicy Perspectives, em Nova York.

--Com a colaboração de Craig Torres

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