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Turquia briga com Steinhardt e Christie's por relíquia

Christian Berthelsen e Katya Kazakina

(Bloomberg) -- Quando o principal item do leilão de antiguidades da Christie's New York foi vendido em abril, o colecionador de arte Michael Steinhardt achou que tinha embolsado US$ 12,7 milhões. Seu ídolo de pedra de 5.000 anos, chamado Guennol Stargazer, mais que dobrou o valor estimado antes da venda.

Mas agora uma ação judicial apresentada pelo governo da Turquia contra Steinhardt e a Christie's atrapalhou a venda. O governo alega que Steinhardt deveria saber que a antiga estatueta havia sido saqueada do país. E os advogados da Turquia argumentaram que a Christie's não realizou o processo adequado de due diligence e se precipitou com o leilão, apesar das objeções.

A casa de leilões também se opôs a divulgar o conflito aos potenciais compradores, até que foi obrigada pelo tribunal a fazê-lo. A estatueta agora permanecerá guardada no cofre da Christie's até que as questões sobre a posse sejam resolvidas.

A disputa chamou uma atenção incômoda para uma empresa de capital fechado famosa por sua discrição e também para um pioneiro do hedge fund ? e membro do conselho consultivo da Christie's ? que já se envolveu diversas vezes em disputas sobre a proveniência de antiguidades ligadas a ele.

Um gestor financeiro que investiu sua riqueza em filantropia, obras de arte e em um empreendimento chamado WisdomTree, Steinhardt disse que a Turquia deveria ter feito sua reivindicação anos antes, porque a estátua foi exibida publicamente durante décadas. Ele disse que as questões de proveniência que enfrentou são comuns para grandes colecionadores de antiguidades e chamou os episódios de "um pouco de má sorte".

Identidade revelada

Steinhardt queria vender o Stargazer, além de vários outros itens, porque as obras de arte se tornaram uma parte muito grande de seu patrimônio. Agora, ele espera que as reivindicações da Turquia sejam indeferidas e acrescentou: "Pode ter certeza de que não pretendo devolvê-lo".

Steinhardt possuía a estatueta anonimamente há mais de duas décadas. Sua identidade como vendedor do ídolo só foi revelada recentemente, na disputa legal com a Turquia.

Christie's, a maior casa de leilões do mundo por vendas, afirmou em um comunicado: "Embora a Christie's tenha um enorme respeito pelos direitos dos patrimônios culturais dos países de origem, esta obra em particular está muito bem documentada fora da Turquia e foi amplamente exibida ao público nos últimos 50 anos". A participação de Steinhardt no conselho consultivo da Christie's não influenciou a gestão da venda, informou a casa de leilões.

Os advogados que representam a Turquia argumentam que a lei do patrimônio nacional, datada de 1906, rege o assunto. Segundo essa lei, todas as antiguidades descobertas dentro do território turco pertencem ao Estado. O conflito ocorre em um momento de tensão nas relações entre os EUA e a Turquia, porque o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, se opôs aos EUA em questões como a estratégia em relação à Síria e o fato de os EUA darem asilo a um clérigo turco exilado. Seu governo levantou a disputa sobre o Stargazer com o Departamento de Segurança Nacional dos EUA, de acordo com registros do processo da Turquia.

O Stargazer é uma estatueta de 23 centímetros, surpreendentemente moderna, cuja cabeça voltada para cima, que parece olhar para as estrelas, inspirou seu nome em inglês. Ídolos similares foram produzidos durante a Idade do Bronze na região litorânea do sul da Anatólia, que agora pertence à Turquia. O país afirma que o Stargazer foi ilegalmente escavado e contrabandeado para fora do país no início da década de 1960.

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