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Forte rali do minério de ferro centra a atenção no que virá

Jasmine Ng e Ranjeetha Pakiam

(Bloomberg) -- O rali do minério de ferro no meio do ano foi tão poderoso que a matéria-prima avançou 50 por cento em menos de 50 dias, recompensando os otimistas sobre a demanda da China e dando mais motivos aos pessimistas para terem cautela com as perspectivas para 2018, pois a oferta poderia crescer.

O minério à vista em Qingdao aumentou em nove das últimas 10 semanas em um avanço constante após tocar o mínimo de US$ 53,36 em 13 de junho. Agora, a referência voltou ao território positivo para 2017, segundo a Metal Bulletin.

O minério de ferro vem subindo desde meados de junho graças à demanda cada vez maior da China, com as usinas do maior consumidor mundial se beneficiando do aumento dos preços dos produtos e das fortes margens de lucro, e o avanço tem apoiado mineradoras como a BHP Billiton. Francisco Blanch, do Bank of America Merrill Lynch, diz que alguns dos ganhos no minério de ferro chegaram quando as autoridades chinesas abriram o caminho para uma reunião política fundamental neste ano, efeito que provavelmente desaparecerá após a reunião.

"Não consideramos isto um rali estável porque há muita capacidade de minério de ferro que pode ser ativada se os preços continuarem tão altos durante mais do que alguns meses", disse Blanch, diretor global de pesquisa sobre commodities do banco, em entrevista por telefone na segunda-feira. "É provável que o mercado recue." Ele projeta uma média de preços de US$ 60 para 2018, frente a US$ 75 em 2017.

Preços

Após informar que os lucros deram um salto, o CEO da BHP, Andrew Mackenzie, disse à Bloomberg TV nesta terça-feira que a mineradora está mais otimista sobre a China em meio às iniciativas para reformar a economia, que estão ajudando a demanda. Embora os preços sejam um pouco mais altos que o esperado "não prevemos que eles voltem a cair para valores como os mínimos que vimos mais recentemente", disse ele.

A China é o centro de gravidade do mercado de ferro porque as siderúrgicas do país representam metade da oferta mundial de aço e são as maiores importadoras de minério da Austrália, do Brasil e de produtores menores. A produção de aço atingiu um recorde neste ano e as compras de minério do exterior se encaminham a ultrapassar com folga 1 bilhão de toneladas.

--Com a colaboração de Haidi Lun

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