Resposta dos EUA após míssel sinaliza mudança de tom

Nick Wadhams e Jennifer Jacobs

(Bloomberg) -- Pouco depois de os EUA detectarem o lançamento de um míssil norte-coreano que sobrevoou o Japão, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, e a embaixadora nas Nações Unidas, Nikki Haley, conversaram por telefone com assessores de Segurança Nacional para elaborar uma resposta urgente.

Realizado menos de uma semana após Trump afirmar que Kim Jong Un estava "começando a respeitar" os EUA, o teste foi uma provocação e exigia uma resposta clara. Por isso, a equipe deu início a um processo implementado pelo novo chefe de gabinete de Trump, John Kelly, em antecipação a uma crise desse tipo.

A ideia era primeiramente tranquilizar os aliados e garantir que a primeira resposta não fosse um tuíte improvisado do presidente, e sim uma declaração que refletisse um pensamento calculado, segundo pessoas com conhecimento do processo, que pediram anonimato por discutirem política interna.

As deliberações foram interrompidas no início da noite quando o conselheiro de Segurança Nacional H.R. McMaster -- que recebeu Tillerson em seu escritório para os telefonemas realizados para decidir como reagir -- preparou uma declaração para aprovação do presidente Donald Trump, disseram as pessoas.

O comunicado de resposta, anunciado na manhã de terça-feira em Washington, disse que os últimos lançamentos da Coreia do Norte "sinalizaram desprezo" do país por seus vizinhos e reiterou a posição dos EUA de que "todas as opções estão sobre a mesa".

Não houve repetição do comentário sobre "fogo e fúria" feito no início do mês por Trump. A abordagem mais contida ajudou a diminuir o nervosismo do mercado e o dólar se recuperou de perdas e as ações dos EUA subiram. Mas os comentários breves também foram uma concessão tácita de que as autoridades não conseguiram articular uma resposta equiparável à última cartada de Kim.

Frente à aceleração dos testes de armas da Coreia do Norte, Trump se vê diante da mesma situação que atormentou os antecessores Barack Obama, George W. Bush e Bill Clinton -- líderes que ele culpou por não terem parado o programa nuclear e de mísseis da Coreia do Norte em uma etapa anterior.

"Kim Jong Un está no comando da situação", disse o ex-embaixador dos EUA na China Max Baucus. O governo Trump "está em uma situação muito delicada", acrescentou.

A opinião foi compartilhada por Gary Samore, ex-coordenador da Casa Branca para controle de armas de destruição em massa do governo Obama.

"O obstáculo fundamental às negociações é Kim Jong Un, não o presidente Trump", disse Samore em entrevista. "Neste momento, Kim não está interessado em negociar enquanto não demonstrar que ele tem capacidade de atacar os EUA de forma direta".

--Com a colaboração de Carol Massar e Tony Capaccio

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