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Déficit salarial de negros sobe por razões inexplicáveis nos EUA

Jeanna Smialek e Jordyn Holman

(Bloomberg) -- Os trabalhadores negros ganham menos do que os brancos nos EUA e essa tendência está cada vez pior, mesmo se contabilizadas diferenças de idade, escolaridade, tipo de emprego e geografia, mostra uma nova pesquisa do Federal Reserve.

Em 1979, o homem negro médio dos EUA ganhava por hora 80 por cento do salário de um homem branco médio. Em 2016, esse déficit havia aumentado para 70 por cento, segundo pesquisa divulgada na terça-feira pelo Fed de São Francisco, que apontou que a diferença também havia aumentado para as mulheres negras.

"É especialmente preocupante a crescente parcela inexplicável da divergência nos ganhos dos negros em relação aos dos brancos", escreveram Mary Daly, diretora de pesquisa do Fed de São Francisco, e seus colegas autores, acrescentando que a diferença pode ser motivada por fatores difíceis de medir, como discriminação ou diferenças na qualidade do ensino.

"A oportunidade de sucesso é a base da nossa economia dinâmica. Neste contexto, déficits grandes e persistentes para afro-americanos, ou qualquer outro grupo, são um problema", escreveram.

O estudo do Fed de São Francisco ressalta o foco crescente do banco central dos EUA na desigualdade e no desempenho ruim das minorias dos EUA em termos de emprego. A presidente Janet Yellen falou sobre o assunto e os Feds da Filadélfia e de Minneapolis criaram institutos para estudar a desigualdade e a mobilidade social. A atenção maior contrasta com a postura adotada no passado, quando o assunto raramente era investigado pela equipe de pesquisa do Fed ou abordado por diretores, que viam o problema como algo fora de suas atribuições para com a política monetária.

A nova pesquisa, que ressalta a persistência de uma diferença salarial racial 50 anos após a aprovação da Lei dos Direitos Civis dos EUA, uma histórica legislação contra a discriminação, ressalta um problema para os políticos e bancos centrais: será difícil resolver as disparidades se for impossível medir o que as provoca.

O fato de a diferença ter se mantido e até piorado ao longo do tempo também significa que o mercado de trabalho mais forte, algo que os políticos muitas vezes citam como solução para a desvantagem econômica dos trabalhadores negros, provavelmente não reduzirá a diferença de forma permanente.

"O emprego é a primeira condição, mas na verdade não é condição suficiente para corrigir as disparidades", disse Daly.

Os trabalhadores negros enfrentam um índice de desemprego consistentemente superior ao de seus pares brancos, mas essa diferença é altamente cíclica: em mercados de trabalho fortes, ela encolhe, mas depois dispara novamente durante as recessões. As diferenças salariais em relação aos negros mudam menos de um ciclo econômico para o outro.

Parte do problema de os trabalhadores negros ganharem menos é que o fenômeno limita suas chances de subir na escala da renda. Os salários mais baixos podem tornar mais difícil para esses trabalhadores conseguir tempo livre para educação e treinamento, por exemplo.

E é particularmente preocupante que a diferença salarial entre negros e brancos esteja aumentando devido a fatores inexplicáveis. Uma parcela considerável da divergência salarial racial decorre de diferentes setores e ocupações em que os negros trabalham, dos níveis de escolaridade e das idades, mas a parcela devida a fatores impossíveis de rastrear representa grande parte do crescimento da diferença salarial ao longo do tempo.

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