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Setor de etanol dos EUA pede ajuda a Trump em disputa com Brasil

Mario Parker

(Bloomberg) -- As produtoras de etanol dos EUA pedirão intervenção do governo Trump em uma disputa comercial com o Brasil em meio à escalada das tensões entre o setor e os concorrentes estrangeiros.

A Associação de Combustíveis Renováveis, a Growth Energy e o Conselho de Grãos dos EUA -- grupos do setor com sede em Washington -- afirmaram em comunicado, na quinta-feira, que o governo deveria "adotar uma ação imediata e considerar todas as possibilidades para encorajar o Brasil" a revogar ou pelo menos reduzir a taxa de 20 por cento aplicada às importações de etanol dos EUA anunciada no mês passado.

Os grupos estão redigindo uma carta que planejam enviar ao Departamento de Agricultura dos EUA e ao Representante de Comércio dos EUA solicitando que as agências considerem as ferramentas existentes segundo as regras da Organização Mundial de Comércio, disse Emily Skor, CEO da Growth Energy, em entrevista. Estão em jogo mais de US$ 750 milhões em exportações e empregos norte-americanos, afirmaram os grupos.

A mudança ocorre duas semanas após o Departamento de Comércio dos EUA propor impostos ao biodiesel importado da Indonésia e da Argentina afirmando que as produtoras desses países são beneficiadas por subsídios estatais. No início do ano, a China aplicou taxas ao etanol dos EUA e a um subproduto usado como ração animal.

A resposta do governo dos EUA será um teste para Trump, que em várias oportunidades declarou apoio ao setor doméstico de etanol, mais recentemente durante um comício com jeito de campanha realizado em junho. Na semana passada, o senador republicano Chuck Grassley, de Iowa, afirmou que o presidente havia garantido a ele que era "pró-etanol".

Centro-Oeste dos EUA

"Meus associados viram a campanha que fez esse presidente", disse Skor. "Com base nisso, há uma esperança, e eu acrescentaria que há também uma expectativa, de que este governo fará tudo" o que puder para ajudar.

O etanol dos EUA é produzido principalmente a partir do milho e a soja é a principal matéria-prima do biodiesel. A produção de biocombustíveis e as lavouras dos EUA estão concentradas no Centro-Oeste do país, região que ajudou a inclinar a balança nas eleições gerais de novembro a favor de Trump. No entanto, muitos produtores rurais ficaram desanimados com a ameaça de Trump de abandonar o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio, o que prejudicaria as exportações agrícolas dos EUA.

O apoio de Trump precisa ir além da definição das metas anuais de consumo doméstico para o etanol sob o chamado Padrão de Combustível Renovável (RFS, na sigla em inglês), disse Skor, cujo grupo representa as produtoras de etanol norte-americanas Poet e Green Plains. O governo deve saber que "também existe um aspecto global" nas exigências do setor, disse ela.

A taxa brasileira ao etanol é aplicada às importações dos EUA que ultrapassam o limite anual de 600 milhões de litros. A indústria brasileira do etanol utiliza cana-de-açúcar, cultura da qual é a maior produtora.

--Com a colaboração de Jennifer A. Dlouhy e Jonathan Gilbert

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