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Munich Re recruta Mobileye contra ameaça dos carros autônomos

Gabrielle Coppola e Sonali Basak

(Bloomberg) -- As empresas de seguros de veículos, diante dos índices crescentes de acidentes e do surgimento de veículos autônomos que poderiam torná-las obsoletas quando removerem o erro humano, têm seus motivos para amar e odiar a tecnologia de direção sem motorista. Mas a Munich Re, a maior resseguradora do mundo, decidiu acolhê-la.

A empresa -- que ajuda seguradoras primárias a suportarem riscos em troca de uma parte dos prêmios -- venderá a tecnologia de assistência ao motorista da Mobileye como complemento do mercado secundário para frotas comerciais a partir deste mês. A companhia mira um mercado de cerca de 500.000 veículos que abrange de caminhões de lixo até carros de carona compartilhada em uma tentativa de reduzir colisões e coletar dados valiosos para se preparar para a chegada dos veículos sem motorista.

"O que estamos procurando fazer aqui é trabalhar com os nossos clientes para ajudá-los a entender os principais fatores de prejuízo dentro de sua carteira automotiva e ajudar a identificar quais tipos de prejuízos são evitáveis e quais são inevitáveis", disse Mike Scrudato, chefe de inovação estratégica da Munich Re nos EUA. "Se houver menos batidas e consequentemente os prêmios de seguro caírem, cabe ao setor de seguros evoluir e encontrar oportunidades nisso."

As empresas de seguros de veículos estão começando a lidar com o advento dos veículos autônomos, que poderia custar a elas até US$ 25 bilhões em prêmios perdidos nos EUA até 2035, segundo análise divulgada em maio pela Accenture e pelo Instituto de Tecnologia Stevens. Ao mesmo tempo, as empresas de seguro de veículos dos EUA e seus investidores são prejudicados há anos pelos custos com indenizações maiores do que os esperados, que as forçam a aumentar as tarifas em um momento em que os limites de velocidade mais altos, as ruas congestionadas e a distração ao volante aumentam tanto a frequência quanto a gravidade dos acidentes.

Redução das batidas

Cerca de 40.000 pessoas morreram nas ruas dos EUA no ano passado, gerando o maior aumento percentual em um período de dois anos em mortes nas ruas em 53 anos, segundo o Conselho Nacional de Segurança dos EUA.

Como parte de sua parceria, que inclui um programa de testes piloto realizado no início deste ano, a Munich Re subsidiará parte do custo dos conjuntos para o mercado secundário de chips e câmeras da Mobileye, que alertam os motoristas sobre pedestres e saídas não intencionais da pista, a clientes de seguros e frotas comerciais. Os sistemas são vendidos por cerca de US$ 850 cada no varejo, segundo Moran David, diretor de desenvolvimento de negócio da Mobileye, que pertence à Intel, em Nova York.

Quando um número suficiente de unidades for vendido, as duas empresas apresentarão os dados de redução de acidentes da frota aos órgãos estatais reguladores de seguros, que precisam autorizar a Munich Re a empacotar a tecnologia em um produto de seguro recém-projetado que a empresa espera poder lançar.

O acordo com a Munich Re é o primeiro da Mobileye com uma seguradora nos EUA, disse David. A Mobileye iniciou projetos pilotos similares com outras empresas de seguros, disse ele.

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