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Bayer e Viking fazem aposta recorde em tecnologia agrícola

Mario Parker

(Bloomberg) -- A Bayer está se unindo ao gigantesco hedge fund Viking Global Investors para um investimento recorde no crescente mundo da tecnologia agrícola. Trata-se da mais nova aposta em que os agricultores precisarão de novas ferramentas para alimentar uma população cada vez maior.

A Bayer e a Viking fizeram parte de uma rodada de financiamento série A que captou US$ 100 milhões, maior montante da história do setor, segundo as empresas. O investimento teve como destino um empreendimento da Bayer e da Ginkgo Bioworks, uma empresa de biotecnologia com sede em Boston especializada em modificar genes de micróbios. A empresa, que ainda não tem nome, se concentrará em encontrar formas de reduzir o desperdício de fertilizantes nitrogenados agrícolas e terá sedes em Boston e West Sacramento, Califórnia, onde a Bayer possui instalações, disseram executivos da empresa em entrevistas por telefone, na quarta-feira.

Os investidores estão injetando dinheiro em empresas de tecnologia agrícola em um momento em que o mundo enfrenta a redução das terras aráveis em meio ao crescimento populacional. Ao mesmo tempo, os produtores buscam formas de ampliar a eficiência após a queda dos preços agrícolas. A William Blair apelidou o fenômeno de "AgTech Revolution" e, em relatório de 7 de setembro, observou que "o ritmo dos negócios acelerou". O Goldman Sachs afirmou que esse crescente mercado poderá valer US$ 240 bilhões em 2050.

O fertilizante está entre os insumos mais caros para os agricultores e causa receios em relação à poluição. Um dos objetivos do novo empreendimento é imitar genomas que fornecem nitrogênio automaticamente, como os encontrados no amendoim, e aplicá-los a cultivos que não têm essa capacidade, como milho, trigo e arroz, disse Jason Kelly, um dos cinco cofundadores da Ginkgo, em entrevista.

Desafios do setor

No início de 2015, a Bayer identificou os desafios do setor que queria enfrentar, incluindo a redução de terras agrícolas e do nitrogênio, disse Axel Bouchon, chefe do Bayer Life Science Center, braço de pesquisa e desenvolvimento da empresa.

A iniciativa coincide com a busca da Bayer por aprovação regulatória para a aquisição da gigante agrícola Monsanto por US$ 66 bilhões. Em 2013, a Monsanto ajudou a despertar o interesse nas empresas de tecnologia agrícola ao fechar a compra da The Climate, uma empresa agrícola digital, por US$ 930 milhões. A companhia investiu também em novas empresas por meio de sua unidade de capital de risco.

A Viking, firma fundada por Andreas Halvorsen, gerencia cerca de US$ 32 bilhões, o que faz dela um dos maiores hedge funds do mundo.

Mike Miille, vice-presidente de estratégia, gestão comercial e biológicos da Bayer Crop Science, será CEO interino do novo empreendimento com a Ginkgo. O conselho terá dois representantes da Ginkgo e dois da Bayer, que tem sede em Leverkusen, na Alemanha, entre eles Bouchon.

Parte da lógica de oferecer um aporte tão grande é permitir que as empresas se concentrem "plenamente" no desafio que têm de resolver nos próximos quatro a cinco anos, neste caso o nitrogênio, disse Bouchon.

"Grandes desafios exigem grandes ferramentas", disse Bouchon.

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