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Água é novo campo para expansão de dutos no Texas

David Wethe e Ryan Collins

(Bloomberg) -- A torrente de água suja que sai de quase todos os poços de petróleo americanos é a próxima grande aposta de um ex-gerente de fundos do bilionário Paul Allen.

A eliminação das águas residuais dos poços em terra está se transformando em um problema cada vez mais caro para as produtoras de petróleo em meio ao aumento da produção dos EUA nos últimos anos, especialmente nos novos campos de xisto, do Texas a Dakota do Norte. As empresas de exploração geralmente retiram cerca de sete barris de água para cada barril de petróleo, e algumas têm dificuldades para lidar com o fluxo excedente, que é basicamente enviado por caminhão a áreas de disposição localizadas a quilômetros de distância.

David Capobianco, ex-diretor-geral da Vulcan Capital de Allen, está tentando mudar o panorama por meio da construção de dutos para a retirada das águas residuais. A recém-criada WaterBridge Resources pretende ser uma empresa de gerenciamento da água em campos de petróleo. A empresa estuda uma venda pública de ações para dentro de um ano a 18 meses, aproveitando o boom do xisto nos EUA que, segundo a expectativa do governo, elevará a produção de petróleo para perto de 10 milhões de barris por dia no ano que vem.

"Ao lado da rentabilidade e da segurança, a água pode muito bem ser o próximo tópico mais importante para uma empresa de petróleo", disse Laura Capper, CEO da consultoria do setor EnergyMakers Advisory Group em Houston. "A água chegou à vanguarda nos últimos cinco anos, algo diferente de tudo o que já vi."

Para se ter uma ideia da quantidade de água envolvida, considere as projeções para o aumento da produção de petróleo na bacia Permian, campo mais explorado do Texas e grande beneficiário do aumento do investimento nas reservas de xisto. Atualmente, são bombeados 2,4 milhões de barris de petróleo por dia, mas a produção pode aumentar e atingir um pico de 10 milhões nos anos futuros. No ritmo atual de disposição na área, isso significaria 30 milhões a 50 milhões de barris de água suja todos os dias, o suficiente para encher o Empire State Building oito vezes por dia.

Custo de disposição

A disposição pode ser cara, especialmente com os preços do petróleo em torno de US$ 50 por barril, metade do valor de 2014.

A maioria das empresas de perfuração contrata empresas de serviços de petróleo para se livrar das águas residuais. Caminhões despejam a água em buracos artificiais profundos que levam a formações porosas, milhares de metros abaixo do lençol freático. No Texas, o serviço custa cerca de US$ 1,50 a US$ 2,50 o barril. Capobianco, em entrevista, afirmou que pode reduzir o valor para cerca de US$ 1 quando os dutos estiverem instalados.

"Estamos em um ponto de inflexão" em que a água se unirá ao petróleo e ao gás natural como uma commodity importante para as empresas de dutos do setor, disse Capobianco, que também é ex-membro do conselho da sócia geral da Plains All American Pipeline. "A água está em um estágio muito incipiente. O mercado não despertou para a realidade de que a água será negociada da mesma forma que qualquer outro hidrocarboneto."

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