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Diretora da ONU compara postura climática de Trump ao Brexit

Jessica Shankleman e Brian Eckhouse

22/09/2017 11h43

(Bloomberg) -- Quando a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, criticou o presidente dos EUA, Donald Trump, por ter tirado o país norte-americano do histórico Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, nesta semana, ela poderia ter falado também sobre uma outra saída mais relacionada aos britânicos.

As semelhanças entre o Brexit e o fato de Trump estar deixando o Acordo de Paris são gritantes, diz Rachel Kyte, representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para o programa Energia Sustentável para Todos, do qual é diretora-executiva.

Ambos envolvem inconsistências, questionamentos quanto a se realmente se concretizarão e dissidentes famosos que tentam resistir à saída ou encontrar uma forma de anular seus efeitos.

"O Reino Unido diz: estamos saindo, é só definir os detalhes", disse Kyte em entrevista, em Nova York, na quinta-feira. "Trump diz: estamos saindo, é só definir os detalhes. O Reino Unido está no clube, mas não está no clube. Os EUA estão no clube, mas não estão no clube."

Os EUA permanecem no Acordo de Paris por enquanto porque legalmente não podem deixá-lo antes de 2020. A entrada ao clube foi voluntária, assim como as metas de poluição que o país redigiu e aceitou em 2015. Da mesma forma, o Reino Unido não poderá sair formalmente da União Europeia nos próximos dois anos após a notificação oficial de sua saída.

Em sua crítica velada a Trump na Assembleia-Geral da ONU, nesta semana, May disse que o acordo de mudança climática é um sinal "dos valores fundamentais que compartilhamos, valores de imparcialidade, justiça e direitos humanos, que criaram a causa comum entre as nações para que atuem juntas".

Aqueles que se opõem ao Brexit talvez possam usar a mesma descrição para que a UE apresente seu argumento.

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