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Credit Suisse dá garantia firme com preço fixo em oferta ações

Cristiane Lucchesi e Felipe Marques

(Bloomberg) -- O escândalo de acusações de corrupção contra o presidente Michel Temer em maio derrubou a bolsa brasileira e levou algumas empresas a cancelarem planos de ofertas de ações. O Credit Suisse Group criou uma solução para reduzir o risco contra esse tipo de surpresa.

Por meio de um empréstimo estruturado que oferece proteção contra volatilidade imprevista, o banco vem ajudando empresas como a Ser Educacional e a operadora de shopping centers Multiplan Empreendimentos Imobiliários a vender R$ 836 milhões em ações no total.

A necessidade desse tipo de produto é bem clara. A arrastada saga de escândalos no Brasil causou oscilações violentas no mercado acionário no último ano. Em maio, com a divulgação das gravações que sugeriam má conduta do presidente Temer, o Ibovespa sofreu a maior queda desde 2008 e quase eliminou os ganhos acumulados no ano. Temer conseguiu se manter no cargo e a economia demonstrou sinais de recuperação. O índice começou a subir, bateu recorde e acumula alta de 25 por cento desde dezembro.

O escândalo envolvendo Temer reduziu a demanda pela oferta secundária de R$ 445 milhões em ações da Ser Educacional e o preço tombou para um nível que "não refletiria a perspectiva de rentabilidade futura" da companhia, de acordo com fato relevante. A Ser anunciou outra tentativa de aumento de capital em 12 de setembro, mas desta vez ? graças à estrutura do Credit Suisse ? o preço já está fechado para a venda de ações marcada para o mês que vem.

Pelos termos da transação, o Credit Suisse concorda em subscrever uma quantia pré-determinada de ações a um preço fixo, em troca de uma comissão. Antes de a operação chegar ao mercado, o acionista controlador empresta ao Credit Suisse, sem custo, a mesma quantia em ações como hedge, para o caso de o preço de mercado no dia da transação ficar abaixo do preço fixado.

Papel de Diniz

No caso da Ser, as ações vieram do controlador José Janguiê Bezerra Diniz, que, em 18 de setembro, emprestou ao banco aproximadamente 6,56 por cento das ações em circulação. O banco assumiu compromisso firme de subscrever pelo menos essa quantia, equivalente a R$ 236,5 milhões, na oferta que está marcada para meados de outubro.

O Credit Suisse também pode negociar a qualquer momento as ações que tomou emprestado, mas dividiria 50 por cento do lucro com a companhia, segundo o acordo descrito em documentos da empresa.

A Multiplan usou a mesma estrutura no começo do ano. Em janeiro, a companhia anunciou um aumento de capital com apoio do Credit Suisse, depois de não ter levado adiante planos relatados na imprensa de uma oferta secundária de ações. O Credit Suisse concordou em comprar no mínimo R$ 292 milhões em ações e no máximo R$ 360 milhões, segundo documentação da empresa. A Multiplan acabou levantando R$ 600 milhões.

Representantes do Credit Suisse, Multiplan e Ser Educacional não quiseram comentar além do que consta nos fatos relevantes.

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