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Ataques terroristas diminuem e turismo desponta no Paquistão

Chris Kay

(Bloomberg) -- Depois de uma jornada extenuante pela montanha, Alan Cameron examina os picos nevados do norte do Paquistão, perto do lago Saiful Maluk. "É bonito ? valeu o esforço", disse o canadense de 34 anos que está passando as férias em um país mais famoso pelo terrorismo do que pelo turismo.

Um descanso de seu trabalho como analista da Jefferies em Londres, as férias de Cameron no mês passado ressaltam como o setor turístico do Paquistão está ganhando um novo impulso após uma campanha militar contínua em prol da segurança, sendo que a chegada anual de turistas mais que triplicou desde 2013.

Ávido para se livrar da imagem de que é inseguro para os visitantes, o Paquistão iniciou um novo impulso ao turismo e, no terceiro trimestre, colocou propagandas na lateral dos emblemáticos ônibus vermelhos de Londres. A infraestrutura rodoviária também foi aprimorada nas principais regiões de férias.

Desde o massacre de mais de 100 crianças em uma escola militar em 2014, o exército neutralizou alguns grupos insurgentes e milícias políticas. Os turistas agora estão retornando a áreas como o Vale do Swat, uma região do norte do país conhecida como "a Suíça do Paquistão", que foi controlada pelos talibãs entre 2007 e 2009 e foi onde a vencedora do Prêmio Nobel Malala Yousafzai foi baleada em 2012.

À medida que a segurança melhora, a chegada anual de turistas ao Paquistão mais que triplicou desde 2013, para 1,75 milhão no ano passado, e o número de viajantes domésticos aumentou 30 por cento, para 38,3 milhões, de acordo com a estatal Pakistan Tourism Development Corporation. No mesmo período, as chegadas de turistas estrangeiros ao maior vizinho do país, a Índia, subiram de 6,97 milhões em 2013 para 8,8 milhões em 2016, segundo dados do governo.

O Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, na sigla em inglês) calcula que o turismo contribuiu para a economia do Paquistão com US$ 19,4 bilhões no ano passado, ou 6,9 por cento do produto interno bruto. Em uma década, o WTTC projeta que esse número aumentará para US$ 36,1 bilhões.

Ainda assim, os desafios de segurança persistem. Embora o número de vítimas dos ataques tenha caído 43 por cento no ano passado, as grandes cidades, como Lahore, são ocasionalmente atingidas por bombardeios.

Jonny Bealby, diretor administrativo da Wild Frontiers Adventure Travel, uma agência com sede em Londres que faz viagens ao Paquistão há duas décadas, disse que seus passeios para o país do sul da Ásia aumentaram 60 por cento em relação ao ano passado.

Junto com a segurança, Bealby disse que a principal melhoria no Paquistão tem sido a infraestrutura. "As estradas melhoraram imensamente, o que reduz os tempos de viagem."

Visto difícil

As reservas em hotéis também aumentaram 80 por cento no ano passado, de acordo com Jovago, o maior site de reservas de hospedagem do Paquistão. Muitos paquistaneses querem viajar, mas ir para o exterior é difícil, disse Nadine Malik, CEO da Jovago Asia.

"É difícil conseguir vistos ? não é fácil nem barato", disse ela em uma entrevista em Carachi.

Do mesmo modo, obter um visto para o Paquistão é um processo caro e burocrático para muitos estrangeiros, disse Ayesha Siddiqa, pesquisadora da Escola de Estudos Orientais e Africanos em Londres e autora de livros sobre os militares do Paquistão.

--Com a colaboração de Kamran Haider Faseeh Mangi e Iain Marlow

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