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Na China, concurso decide salários de analistas de corretoras

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Foi um mês caótico para Tang Yue e sua equipe de analistas de renda fixa na Industrial Securities, em Xangai.

Os profissionais estão trabalhando 15 horas por dia desde o começo de setembro, às vezes até 2 horas da manhã e durante os fins de semana. Eles visitaram mais de 100 clientes.

Qual seria o motivo do ritmo frenético? Os mercados chineses estão mais estáveis do que de costume e os investidores não imploram por recomendações de compra e venda. O motivo do empenho é obter os votos dos clientes. Esses votos podem influenciar profundamente os holerites e carreiras de Tang e mais de 1.000 analistas de corretoras de ativos mobiliários da China.

A competição de pesquisadores New Fortune é o evento mais importante para analistas de bancos e corretoras do país.

O concurso é organizado por uma revista de mesmo nome que é comandada pelo governo. Os pesquisadores competem em mais de 30 categorias, passando por renda fixa e setor automotivo. Centenas de gestores de recursos votam e os analistas fazem o máximo para chegar ao topo dos rankings. É a versão chinesa da votação organizada pela Institutional Investor, mas com anabolizantes.

"A competição é violenta", conta Tang, integrante da equipe que ficou em segundo lugar em macroeconomia e quinto lugar em renda fixa na votação do ano passado.
O que diferencia a New Fortune é sua influência desproporcional no setor. A compensação de profissionais em muitas corretoras chinesas é diretamente vinculada aos rankings e vencer pode causar impacto enorme. Em geral, analistas com cinco anos de experiência ganham o equivalente a US$ 75.000 por ano na China, mas alguns no topo dos rankings da New Fortune levam para casa mais de US$ 1 milhão.

A importância do concurso reflete a resistência da China às dificuldades enfrentadas pelo setor financeiro global. Muitos bancos de investimento com presença internacional demitiram analistas por causa da redução das comissões na negociação de valores mobiliários e também da chegada da Diretiva de Mercados em
Instrumentos Financeiros (conhecida pela sigla MiFID II) na Europa. Já na China, as corretoras estão com o caixa recheado e expandem as divisões de pesquisa. Com a chegada constante de novos concorrentes, o ranking da New Fortune se tornou fundamental para quem quer se destacar.

Para analistas famosos, o momento na China é favorável. A área de investimentos do país não foi muito atingida pelas regras de MiFID II que exigem a separação dos valores pagos por pesquisas e transações com ativos financeiros, o que significa que os analistas continuarão com papel importante no sentido de atrair comissões.

As corretoras chinesas também se dispõem a investir em talentos. O setor teve lucro somado de aproximadamente US$ 18 bilhões em 2016 e levantou US$ 33 bilhões em capital nos últimos três anos. Entre o final de 2011 e dezembro último, as corretoras do país aumentaram o total de analistas contratados em 18 por cento, segundo a associação local do segmento. Nos bancos de investimento globais, o número de vagas de pesquisa diminuiu 12 por cento entre 2011 e junho de 2016, de acordo com acompanhamento da McKinsey.

Um analista de pesquisa na China em geral ganha entre US$ 75.000 e US$ 90.000 por ano, incluindo bônus, segundo Bai Rui, sócio da consultoria financeira Beijing Rayways Consulting. Já os que entram para os rankings da New Fortune ganham de US$ 150.000 a US$ 1,5 milhão, dependendo do empregador e do segmento analisado, de acordo com a firma local de recrutamento WitLink Executive Search, especializada no setor financeiro.

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