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Revés de Doria ressalta incertezas sobre 2018

Josue Leonel, Ana Carolina Siedschlag e Aline Oyamada

(Bloomberg) -- O entusiasmo de parte do mercado com o potencial de uma candidatura de João Doria a presidente em 2018 sofreu uma ducha fria com a pesquisa mostrando queda da popularidade do tucano. Ainda que o impacto nos preços dos ativos seja limitado pelo fato de a eleição estar longe e o cenário externo ainda benigno, o revés do prefeito de São Paulo é visto como, no mínimo, uma evidência do grau elevado das incertezas sobre o cenário do próximo ano, amplificadas ainda pelo possível adiamento da reforma da Previdência.

O mercado tem precificado a ideia de que o candidato vitorioso em 2018 será alinhado à centro-direita e defensor das reformas, mas o noticiário mostra que "este cenário não é óbvio", diz Maurício Oreng, estrategista-chefe do Banco Rabobank. O quadro eleitoral, segundo Oreng, se tornará ainda mais crucial se a reforma da Previdência for adiada, já que o novo presidente assumiria em 2019 com esta difícil tarefa a ser cumprida. "A reforma é indispensável para garantir a governabilidade".

A queda da aprovação de Doria, de 41% para 32% segundo o Datafolha, diminui a chance de ele sair candidato pelo PSDB, diz a Eurasia. Para a consultoria, porém, aumenta a possibilidade de o prefeito deixar o ninho tucano e se lançar candidato por outra sigla. A Eurasia mantém a visão de que Doria é mais competitivo do que o governador Geraldo Alckmin, que a consultoria já chegou a comparar com Hillary Clinton, que perdeu a eleição para Donald Trump, que, assim como Doria em São Paulo, explorou a imagem de não-político para vencer a eleição americana.

O problema para Doria é que a imagem dissociada da política que sempre buscou construir estaria sendo abalada pelas suas articulações para ganhar a disputa pela candidatura do PSDB. "Quanto mais ele constrói o seu projeto presidencial, mais se desgasta porque se aproxima da imagem de um político tradicional, que não é o que o típico eleitor dele quer", diz Rafael Cortez, analista político da Tendências Consultoria. 

Embora o Ibovespa siga perto das máximas, as incertezas para 2018 se refletem mais claramente em alguns segmentos do mercado. A volatilidade cambial tem subido para prazos mais longos, coincidentes com o período em que o país estará escolhendo o sucessor de Temer. Alguns investidores estariam se protegendo do risco de um candidato contrário a reformas emergir como favorito no próximo ano. Lula e Jair Bolsonaro, atuais líderes nas pesquisas, não são vistos como comprometidos com as reformas, embora o ex-presidente, em seu primeiro mandato, tenha surpreendido com uma equipe econômica ortodoxa bem-recebida pelos investidores.

Doria é o candidato preferido de parte do mercado e seus contratempos apenas reforçam a ideia de que o "jogo para 2018 ainda está muito indefinido", diz Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim, para quem a melhora recente do mercado brasileiro está mais ligada ao quadro externo ainda benigno do que a uma aposta forte nas eleições em 2018. "O mercado está complacente com os riscos tanto o fiscal quanto o político".

Juliano Ferreira, estrategista da BGC Liquidez, observa que o atual cenário de candidaturas pulverizadas dificulta muito qualquer prognóstico, o que ameniza as reações do mercado. Além disso, as pesquisas de intenção de voto, nessa distância das eleições, historicamente têm baixo poder preditivo, pondera o estrategista. Mas esse sangue-frio não deve durar para sempre. "Se a tendência vista até aqui não for revertida, as eleições poderão começar a fazer preço antes do que em anos anteriores", diz Ferreira.

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