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Disputa de remédios para câncer atinge ponto de inflexão: Gadfly

Max Nisen

(Bloomberg) -- Os medicamentos contra o câncer causam grande indignação devido aos preços de mais de US$ 100.000 cobrados dos pacientes vulneráveis. Até o momento, os remédios vêm enfrentando pouca concorrência no que diz respeito ao preço.

A situação pode finalmente começar a mudar com a onda recente de aprovações da FDA.

O câncer é menos comum do que condições crônicas como o diabetes e existem centenas de tipos e subtipos. Medicamentos caros contra o câncer podem tratar apenas um pequeno subconjunto de pacientes com uma certa doença. Esses medicamentos geralmente são tomados por um período de tempo relativamente curto. Como resultado, qualquer medicamento individual contra o câncer responde por apenas uma pequena parcela do que uma seguradora gasta em remédios, portanto negociar o preço não é prioridade.

Além disso, é particularmente difícil substituir um medicamento contra o câncer por outro. O câncer é biologicamente complexo e o tratamento varia substancialmente em cada paciente individualmente. E quando as pessoas têm potencialmente apenas alguns meses de vida, elas se mostram dispostas a investir em qualquer coisa que possa melhorar ainda que ligeiramente suas chances. É difícil para as seguradoras impedir isso ou forçar médicos e pacientes a superarem os obstáculos para usarem esses medicamentos.

Além disso, muitos medicamentos contra o câncer são tomados em hospitais, e não em casa. Isso significa que seu uso nem sempre é supervisionado por gerentes de benefícios de farmácia, que são especialmente agressivos e bem-sucedidos no estímulo à concorrência de preços.

O resultado é um ambiente com concorrência direta relativamente baixa, no qual medicamentos como o Rituxan, da Roche Holding, podem permanecer no mercado por mais de uma década e enfrentar baixa concorrência em relação ao preço.

Mas a concorrência está aumentando em algumas categorias de medicamentos contra o câncer que, combinadas, deverão somar mais de US$ 35 bilhões em vendas em 2021. Isso deve incentivar as seguradoras a começarem a pressionar pela queda dos preços.

O mercado para um tipo de medicamento contra o câncer de mama pode seguir um roteiro bastante convencional rumo a uma maior concorrência em relação aos preços. O Ibrance, da Pfizer, fez sucesso após sua aprovação, no início de 2015; o medicamento deverá gerar mais de US$ 3 bilhões em receitas neste ano. Depois veio a aprovação rápida de medicamentos semelhantes da Novartis, em março, e da Eli Lilly, no fim de setembro. Ambos os retardatários têm alguns problemas de segurança e não está claro se são mais eficazes do que o Ibrance. A única chance de roubarem participação de mercado pode ser a concorrência no preço. Este pode ser um teste para a efetividade de uma estratégia do tipo para medicamentos contra o câncer.

Uma segunda classe de medicamentos, conhecida como inibidores de PARP -- atualmente utilizados contra o câncer de ovário -- foi sacudida no início do ano quando a FDA aprovou o Lynparza, da AstraZeneca, para um grupo maior que o esperado de pacientes. A decisão da FDA encolheu a vantagem inicial do Zejula, da Tesaro, e sugere que a agência considera esses medicamentos basicamente substituíveis. Com a decisão, é mais difícil que algum desses medicamentos domine os segmentos de pacientes. E isso, em contrapartida, dará influência às seguradoras para reduzir os preços; três desses medicamentos já estão disponíveis e outro está em fase final de testes.

Uma terceira classe, a dos inibidores de PD1/L1 -- que ajudam o sistema imunológico a reconhecer uma grande variedade de cânceres --, pode ser a mais vulnerável à concorrência nos preços. O primeiro desses medicamentos, o Keytruda, da Merck & Co, chegou ao mercado em 2014. Atualmente, nos EUA existem cinco medicamentos do tipo disponíveis, que deverão registrar uma receita combinada de mais de US$ 20 bilhões em 2021.

Esses medicamentos se sobrepõem cada vez mais; os cinco agora têm aprovação para tratar um subconjunto de pacientes com câncer de bexiga, por exemplo. Parece pouco provável que qualquer liderança em um tipo de câncer específico dure muito -- essas empresas replicam assiduamente os testes bem-sucedidos das demais. Esses medicamentos custam mais de US$ 150.000 por ano e deverão ser disponibilizados a grupos cada vez maiores de pacientes. A concorrência nos preços é apenas questão de tempo.

Todos os fatores que impediam a concorrência de preço entre os medicamentos contra o câncer no passado ainda estão sobre a mesa, em certa medida. Mas eles representam a melhor chance até o momento de modificar esse caro status quo.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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