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Empreendedor japonês tem nova meta: vender bifes de US$ 180

Aya Takada e Hiromi Horie

16/10/2017 15h33

(Bloomberg) -- O enfant terrible corporativo japonês Takafumi Horie construiu uma das empresas mais bem-sucedidas do país no ramo da internet, concorreu ao Parlamento, foi para a prisão e criou uma empresa espacial que visa a colocar em órbita o primeiro foguete com financiamento privado do país. Agora ele tem um novo alvo: o gado.

O fundador da Interstellar Technologies se uniu ao amigo Hisato Hamada para formar a Wagyumafia, que rotula, promove e distribui carne Wagyu. Horie, de 44 anos, compara a carne macia e gordurosa a Domaine Romanée-Conti, região vinícola da Borgonha, na França, que transformou sua marca em uma das mais caras do mundo.

Vinho da Borgonha

"Apesar de ser tão escassa quanto um bom vinho da Borgonha, a carne Wagyu tem sido vendida a um preço barato pela JA", disse Horie, em referência às Cooperativas Agrícolas do Japão, maior grupo de produtores do país. "Tenho certeza de que essa carne pode ser vendida a preços muito mais elevados nos mercados internacionais."

Após a inauguração de seu primeiro restaurante exclusivo para membros, em Tóquio, em setembro de 2016, Horie e Hamada abriram mais três unidades. A adesão aumentou para 1.000, sendo 300 do exterior. A Wagyumafia tem realizado eventos de degustação em Nova York, Paris e Cingapura e planeja abrir seu primeiro restaurante no exterior, em São Francisco, no ano que vem.

"Por máfia nos referimos a um sindicato de ex-empreendedores de TI", disse Hamada, de 40 anos, ex-editor de uma revista on-line sobre cinema. "Nosso projeto é fornecer carne Wagyu produzida por criadores selecionados diretamente aos compradores internacionais, sem intermediários e sem publicidade. Nós encontramos clientes por meio das redes sociais e de eventos."

A carne Wagyu vem de quatro raças japonesas de gados de corte -- Black, Brown, Shorthorn e Polled -- que normalmente produzem uma carne intensamente marmorizada, com uma maior porcentagem de gorduras não saturadas do que a maior parte dos outros tipos de carne bovina. É por isso que esses bifes macios e saborosos são a carne mais cara do mundo.

Na nova unidade de Hamada, no distrito de Roppongi, em Tóquio, área preferida dos fãs de gastronomia, o quilo de carne Wagyu é vendido por 30.000 ienes (US$ 268). A garrafa mais barata de Romanée Conti custa cerca de 46.000 ienes, e aquelas das melhores safras da cidade chegam a mais de 1 milhão de ienes.

Hamada e Horie, o ex-presidente do portal web Livedoor, estão tentando construir uma marca premium em um momento em que a demanda por carne bovina japonesa está aumentando no exterior, especialmente na China, onde a qualidade e a segurança dos alimentos se tornou uma preocupação crescente.

O maior mercado de exportação do Japão é Hong Kong, que comprou 353 toneladas nos seis primeiros meses de 2017, e os EUA vêm na sequência, com 201 toneladas. O Camboja, ponto de trânsito dos carregamentos de Wagyu para a China, foi o terceiro maior comprador, com 197 toneladas.

A China mantém uma proibição à carne bovina japonesa desde a primeira incidência de mal da vaca louca no Japão, em 2001. As exportações deverão aumentar porque Taiwan suspendeu a proibição à carne japonesa em setembro.

O Japão fechou um acordo comercial com a União Europeia neste ano para eliminar tarifas aplicadas à carne bovina japonesa. O governo pretende ampliar as exportações de Wagyu para 25 bilhões de ienes até 2020.

"A carne Wagyu está no mesmo caminho do sushi", que se expandiu rapidamente pelo mundo na última década, disse Dan Christiansen, diretor de alimentos da churrascaria MASH em Copenhague, maior revendedora da carne Wagyu japonesa no exterior.

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