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Sem vaga na Copa, EUA justificam luta por igualdade salarial

Jeff Green e Eben Novy-Williams

16/10/2017 15h30

(Bloomberg) -- A Federação de Futebol dos EUA afirma há tempos que o pagamento de salários maiores à seleção masculina do que à feminina se explica, em parte, pelo fato de que a seleção masculina rende mais dinheiro.

Essa lógica foi abalada porque a seleção masculina dos EUA não conseguiu se classificar para a Copa do Mundo de 2018, um resultado chocante que também afeta os lucros da federação.

"As mulheres sempre executaram o mesmo trabalho que os homens, para o mesmo empregador, e melhor -- não é tão bem quanto, é melhor", disse Jeffrey Kessler, advogado trabalhista que representa as mulheres na queixa à Comissão para a Igualdade de Oportunidades no Emprego dos EUA (EEOC, na sigla em inglês). "O fato de os homens não terem conseguido se classificar para a Copa do Mundo apenas ressalta, enfatiza, destaca a questão."

Os esportes femininos se tornaram mais populares, o que aumenta a pressão para que as equipes esportivas reavaliem políticas salariais para jogadores e jogadoras. Nesta semana, a Noruega informou que as seleções de futebol masculina e feminina pagarão pela primeira vez os mesmos salários aos atletas. A Federação de Hóquei dos EUA informou no início do ano que fará o mesmo.

Quando comparada à concorrência, a seleção feminina dos EUA mostra desempenho bastante superior ao dos homens. As mulheres ganharam a Copa do Mundo em 1991, 1999 e 2015, além de medalhas de ouro olímpicas em 1996, 2004, 2008 e 2012. No mesmo período, os homens conseguiram passar das oitavas de finais em apenas uma Copa do Mundo e não ganharam nenhuma medalha olímpica. Na última década, a seleção feminina dos EUA nunca esteve abaixo do segundo lugar no ranking da modalidade; os homens nunca passaram do 14º lugar e atualmente ocupam a 28ª posição.

"A seleção feminina de futebol dos EUA sempre foi e continuará sendo parte importante da Federação de Futebol dos EUA e do panorama geral do esporte neste país", disse um porta-voz da entidade.

Apesar do sucesso, a seleção feminina recebe um salário menor. Na queixa à EEOC, as mulheres destacaram que poderiam receber um máximo de US$ 99.000 por 20 jogos, contra US$ 263.320 no caso dos homens. O novo contrato assinado pela seleção feminina neste ano reduziu a diferença, mas as mulheres ainda assim ganham menos, disse Kessler.

Nos anos fiscais de 2014 e 2015, a Federação de Futebol dos EUA gastou US$ 49,8 milhões com a seleção masculina e US$ 18,8 milhões com a seleção feminina, segundo auditoria independente. A federação havia estimado que em 2017 terá um lucro líquido de cerca de US$ 5 milhões com a seleção feminina e um prejuízo de US$ 1 milhão com o programa masculino. A EEOC preferiu não comentar a queixa sobre os salários.

Kessler disse que, ganhando ou perdendo, a receita dos esportes masculinos não deveria fazer parte da equação: "A razão pela qual os atletas têm direito a salários iguais é que eles realizam trabalhos iguais."