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Twitter tenta reprimir assédio e tuítes abusivos

Selina Wang

18/10/2017 11h41

(Bloomberg) -- O Twitter está introduzindo novas políticas para combater o assédio e as abordagens de cunho sexual indesejadas no site da rede social depois que a recente decisão de desativar a conta de uma atriz famosa provocou um alvoroço.

A empresa afirmou que suspenderá de forma imediata e permanente qualquer conta que assedie claramente alguém ou que publique imagens de nus sem o consentimento do retratado. A nova política também adota uma postura mais rígida em relação a ações de natureza sexual indesejadas no serviço aprimorando os meios para que espectadores denunciem comportamentos inadequados.

"Uma abordagem mais agressiva para policiar e punir resultará na remoção de mais conteúdo do nosso serviço", afirmou o Twitter na terça-feira em um comunicado. "Temos que explicar melhor nossas políticas e definir expectativas de comportamento aceitável em nosso serviço."

O Twitter foi criticado na semana passada por desativar temporariamente a conta da atriz e diretora Rose McGowan. Ela havia usado a plataforma de mídia social para identificar publicamente supostos infratores na indústria do entretenimento depois de dirigir acusações de agressão sexual ao produtor de Hollywood Harvey Weinstein. No momento, o Twitter afirmou que a conta foi temporariamente bloqueada porque ela havia publicado um número de telefone privado.

Mulheres boicotaram o site durante um dia em protesto e alguns se queixaram de que a agilidade do Twitter para suspender a conta de McGowan contrastava com a ambivalência habitual da empresa para policiar usuários que trolam mulheres com conteúdos de natureza sexual e violento. Alguns tuitaram que calar uma vítima de agressão sexual desencoraja outras mulheres a relatarem suas experiências.

Tradicionalmente, a empresa com sede em São Francisco pecou por priorizar excessivamente a liberdade de expressão e o discurso sem censura. Essa atitude começou a mudar à medida que mais incidências de abuso no site afastaram algumas pessoas. Em 2016, a empresa formou um Conselho de Confiança e Segurança e fez atualizações significativas de produtos para ajudar a restringir o abuso.

As políticas do Twitter estão sendo mais examinadas do que nunca porque o presidente dos EUA, Donald Trump, é um usuário extremamente assíduo da plataforma. A empresa não impediu o presidente de tuitar, apesar de críticos afirmarem que alguns de seus tuítes violam as regras do Twitter.

Em resposta a perguntas sobre um tuíte polêmico publicado por Trump sobre a Coreia do Norte no dia 24 de setembro, o Twitter afirmou que a empresa "rege todas as contas segundo as mesmas regras e considera uma série de fatores ao avaliar se os tuítes violam essas regras".