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Maçãs geneticamente modificadas chegam a supermercados dos EUA

Lydia Mulvany

(Bloomberg) -- A salada de frutas geneticamente modificada é agora uma realidade. Juntamente com o mamão resistente a vírus, a maçã entrará no grupo das frutas com biotecnologia vendidas nos supermercados dos EUA.

A primeira safra comercial de maçãs golden delicious geneticamente modificadas irá dos pomares do estado de Washington para cerca de 400 supermercados na região centro-oeste dos EUA no começo de novembro. As maçãs serão vendidas fatiadas em pacotes de 280 gramas e, por serem modificadas, vão demorar muito mais para ficar marrons quando forem expostas ao ar.

As culturas geneticamente modificadas são comuns no caso de commodities americanas como o milho e a soja, mas não de frutas. Há poucos incentivos financeiros para desenvolver e comercializar frutas geneticamente modificadas devido aos custos para alterar as regulamentações alimentares e aos riscos de rejeição dos consumidores, disse Kevin Folta, professor de horticultura da Universidade da Flórida em Gainesville. Um mamão do Havaí modificado para resistir a um vírus mortal é a única outra fruta com biotecnologia nos supermercados.

Não há evidência de que alimentos geneticamente modificados causem problemas de saúde, mas a tecnologia ainda causa polêmica. Alguns consumidores estão dispostos a pagar mais por alimentos com a etiqueta "sem modificações genéticas".

Aposta

Mas a Okanagan Specialty Fruits, com sede em Summerland, Colúmbia Britânica, acredita que o fato de as maçãs não ficarem marrons neutralizará as preocupações dos consumidores. A empresa colheu cerca de 50 toneladas das chamadas "maçãs do Ártico", apelido dado ao cultivo geneticamente modificado. Isso é suficiente para abastecer os supermercados durante cerca de dois meses, disse por e-mail o presidente Neal Carter. As frutas resistentes e fatiadas serão especialmente atraentes para famílias com um estilo de vida ativo e serão mais caras, disse ele.

As maçãs geneticamente modificadas podem ser uma aposta particularmente arriscada. Como as maçãs são um produto considerado essencialmente saudável como alimento para as crianças, esse é um mercado delicado, disse Jim McFerson, professor de Horticultura da Universidade Estadual de Washington em Pullman. Alguns produtores do litoral do Pacífico no noroeste dos EUA, a principal região produtora de maçãs do país, consideram que o fato de serem o primeiro setor a levar um produto geneticamente modificado a um mercado tão delicado poderia afetar a imagem positiva da maçã, disse McFerson.

Alguns consumidores experimentaram as maçãs do Ártico neste ano quando a empresa fez pesquisas de mercado em seis cidades e esta é a primeira vez que o produto será vendido em lojas. Mais de 90 por cento dos consumidores que provaram disseram que comprariam se elas estivessem nas lojas que eles conhecem, disse Carter.

"O objetivo das maçãs do Ártico é incentivar uma alimentação saudável, aumentar o consumo de maçãs e reduzir o desperdício de alimentos, seja qual for a idade, a renda, ou qualquer outro fator", disse Carter.

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