Bancos afetados pelo Brexit vão transferir funcionários em 2018

Gavin Finch e Steven Arons

(Bloomberg) -- Os políticos do Reino Unido estão lutando para fechar, no início do ano que vem, um acordo que aliviará o pânico das empresas em relação ao Brexit. Para alguns setores, provavelmente seja tarde demais.

A menos que ocorra algum grande avanço, os bancos internacionais implementarão seus planos de transferência no começo do próximo ano para garantir que terão novos escritórios funcionando dentro da União Europeia no momento em que o Reino Unido sair do bloco, disseram pessoas com conhecimento do assunto. Não há muito o que a primeira-ministra Theresa May possa fazer para impedir que os bancos coloquem em prática seus planos de contingência, se é que eles ainda não o fizeram, disse uma das pessoas.

"Se não houver um rumo claro no início do próximo ano, eu diria que os atores do setor bancário deverão tomar decisões, decisões adiantadas na pior das hipóteses", disse o vice-CEO do Société Générale, Séverin Cabannes, no início deste mês, acrescentando que o banco pretende criar 300 cargos novos em Paris. Precisaríamos de "cerca de um ano para fazer esse movimento de transformação".

As negociações do Brexit estão paralisadas há meses, e instituições como Goldman Sachs Group, Morgan Stanley, UBS Group e Royal Bank of Scotland Group começarão a transferir funcionários, infraestrutura e capital para seus novos centros operacionais dentro do bloco no primeiro trimestre, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque os planos não foram divulgados publicamente. Os bancos gostariam de adiar ou, idealmente, evitar a implementação de seus planos de contingência ? que provavelmente custarão mais de US$ 500 milhões por instituição ?, mas eles precisam de pelo menos 12 meses para estabelecer completamente as operações dentro da UE com um número significativo de funcionários seniores.

"Precisaremos ter uma visão clara sobre o que vai acontecer bem no comecinho do próximo ano", disse Sylvie Matherat, disse a diretora de regulamentação do Deutsche Bank no início deste mês. Se o acordo do Brexit não for fechado em breve, os bancos terão que se preparar para o pior, disse ela.

De modo geral, considera-se que a pior hipótese é que o Reino Unido saia da UE sem um acordo comercial nem um período de transição. O principal negociador do Brexit da UE, Michel Barnier, disse na segunda-feira que os bancos com sede no Reino Unido perderão o acesso ao mercado único devido a uma "consequência jurídica" do divórcio do país.

O secretário britânico do Brexit, David Davis, disse recentemente que estava determinado a manter a competitividade do distrito financeiro do Reino Unido e que negociaria um período de transição de dois anos. Mas os bancos temem que seja pouco, e tarde demais. Certamente, esta é a mensagem que eles recebem dos reguladores da UE. Um deles alertou que o primeiro trimestre de 2018 será "o ponto sem volta" para que os bancos coloquem em prática seus planos de contingência e comecem a transferir pessoas.

Em meio ao impasse, 20 bancos já estão em discussões avançadas com os órgãos reguladores da UE sobre a obtenção de permissões comerciais. O Bank of America, o Goldman Sachs e o Morgan Stanley assinaram contratos de arrendamento de novos escritórios, e mais de meia dúzia de outras instituições estão explorando novos lugares dentro da UE.

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