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Produtor de Hollywood planeja financiar filmes com criptomoedas

Camila Russo

(Bloomberg) -- O próximo filme de Hollywood que você assistir pode ser financiado com criptomoedas.

Christopher Woodrow, que ajudou a produzir ou financiar filmes na última década, afirma que a tecnologia de livro-razão distribuído conhecida como blockchain vai abalar a indústria cinematográfica, e ele quer fazer parte disso.

O produtor de "Birdman", vencedor do Oscar de melhor filme, de "Aliança do Crime" e de "Até o Último Homem" planeja lançar seu próprio token baseado em blockchain, chamado MovieCoin, no primeiro trimestre de 2018. Os recursos levantados com a venda, ou oferta inicial de moeda (ICO, na sigla em inglês), financiarão uma série de filmes. Os investidores se beneficiarão porque os tokens, que podem ser negociados no mercado secundário, se valorizariam com base no sucesso dos filmes, disse Woodrow.

"Estamos tentando revolucionar o modelo de financiamento dos filmes", disse Woodrow, em entrevista por telefone. "Hollywood é movida pelos relacionamentos, e o que trazemos para a equação é a capacidade de acesso aos níveis mais elevados de financiamento de filmes. Estamos no processo de reunir uma série de projetos que incluirão grandes estrelas de cinema, diretores de primeira linha e produtores experientes e consolidados, que formarão a equipe inicial do MovieCoin."

O objetivo é vender US$ 100 milhões em tokens compatíveis com as regras da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês). Woodrow preferiu não citar os filmes considerados para o portfólio. Assim como os ICOs deram aos investidores no varejo acesso a projetos de tecnologia de ponta que costumavam ser reservados a capitalistas de risco, Woodrow afirma que os tokens também podem democratizar o financiamento de filmes.

Woodrow é ex-diretor administrativo da Prospect Point Capital, que investiu em acordos de capital de risco no setor de entretenimento. Também trabalhou no Citigroup, no Oppenheimer e no CIBC World Markets em banco de investimento e gestão de portfólio.

Esta não é a primeira tentativa de levar o blockchain, que é usado para verificar e registrar transações, ao show business. A Flixxo quer criar uma rede de compartilhamento de vídeos descentralizada semelhante ao YouTube e financiada por meio de seu token. A estrela do pop Björk disse que aceitará bitcoins e outras criptomoedas como forma de pagamento por seu último álbum, e, juntamente com as compras, distribuirá AudioCoins, uma criptomoeda criada para ser usada em uma plataforma de streaming de música descentralizada que recompensa fãs e artistas.

As startups levantaram mais de US$ 3 bilhões em ICOs, mais do que o financiamento de capital de risco, emitindo tokens extremamente voláteis que podem facilmente multiplicar seu valor ou entrar em colapso em questão de dias. A SEC tem alertado investidores sobre fraudes. O bitcoin, primeira e maior criptomoeda, acumula alta de mais de 700 por cento no ano e na sexta-feira deu novo salto, para um valor recorde próximo de US$ 8.000.

A febre das criptomoedas gerou comparações com a infame mania holandesa do bulbo de tulipa do século 17, quando os preços dispararam e depois entraram em colapso. A analogia tem paralelo para Woodrow, produtor-executivo do filme "Amor & Tulipas", lançado neste ano.

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