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Produtores mundiais de óleo de palma lutam contra discriminação

Anuradha Raghu

(Bloomberg) -- Os maiores produtores de óleo de palma estão se unindo a agricultores de milhares de quilômetros de distância e se encontrando com representantes europeus para conter as preocupações com a sustentabilidade que poderiam afetar o comércio e os meios de subsistência dos produtores.

O diretor-executivo do Conselho de Países Produtores de Óleo de Palma, Mahendra Siregar, viajará para a Conferência Europeia do Óleo de Palma, em Bruxelas, nesta semana, onde o debate da região sobre a sustentabilidade do óleo de palma utilizado nos alimentos será um dos principais assuntos. O conselho é liderado pela Indonésia e pela Malásia, que representam 85 por cento da oferta global de óleo de palma.

As preocupações com o óleo de palma vêm aumentando na União Europeia depois que a região aprovou uma resolução não vinculativa em abril determinando que os critérios de sustentabilidade ambiental fossem aplicados às importações. A Malásia afirma que pode agir para proteger seus próprios interesses se a resolução for aplicada e a Indonésia advertiu que está pronta para retaliar as tentativas da UE de reduzir as exportações. Líderes dos dois países asiáticos deverão discutir o assunto nesta semana.

A resolução "colocaria o óleo de palma e os países produtores em uma posição injusta em termos de comércio e acesso ao mercado", disse Siregar, em entrevista por telefone, de Jacarta. "Não podemos simplesmente ficar parados diante disso. Está muito claro que não aceitaremos discriminação contra o acesso ao mercado de óleo de palma e o comércio justo."

Apesar de a Indonésia e a Malásia serem os únicos membros atualmente, o conselho fechou acordos com Colômbia, Guatemala, Nigéria, Papua-Nova Guiné e Tailândia para "colaborar e estabelecer imediatamente uma plataforma de cooperação" antes da adesão plena, disse ele. Esses cinco produtores respondem por cerca de 9 por cento da produção global.

A preocupação maior em relação a como a resolução da UE pode afetar o comércio de óleo de palma, e também os meios de subsistência dos pequenos produtores, levou a Malásia e a Indonésia a defenderem sua principal commodity de exportação. O ministro das Indústrias e Produtos de Plantação da Malásia, Mah Siew Keong, se reuniu com 18 embaixadores europeus na segunda-feira. O presidente da Indonésia, Joko Widodo, pediu no início deste mês que a UE acabasse com a discriminação ao óleo de palma porque o setor ajuda a aliviar a pobreza, a reduzir o déficit de desenvolvimento e a desenvolver uma economia inclusiva.

Poder de negociação

Os produtores não podem "ficar parados sem fazer nada e aceitar esta campanha de difamação contra o óleo de palma", afirmou Balu Nambiappan, diretor de desenvolvimento econômico e industrial do Conselho Malaio do Óleo de Palma, em conferência, em Kuala Lumpur, na semana passada. "Temos que agir juntos para poder combater essas campanhas na Europa."

Quanto antes o grupo de países puder agir em conjunto, melhor, porque eles terão mais poder de negociação, segundo Siregar.

"Não se trata de um ou dois países que estão sendo discriminados por países específicos ou por um grupo de países", disse ele. "Este é um tratamento injusto para os países em desenvolvimento que têm commodities que podem ser competitivas no comércio global."

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