Plano revisado da Oi reduz chance de aprovação este ano: Fontes

Fabiola Moura e Cristiane Lucchesi

(Bloomberg) -- As mudanças no plano de recuperação da Oi aprovado pelo conselho na quarta-feira reduziram drasticamente as chances de resolução neste ano, disseram duas pessoas diretamente envolvidas nas negociações entre a empresa de telecomunicações e os credores.

Os detentores de títulos viram as mudanças como cosméticas e as receberam com desdém, disseram as pessoas, que não quiseram se identificar porque as discussões são confidenciais. O plano revisado inclui um novo prazo para o pagamento de uma taxa de adesão para os credores que quiserem participar da capitalização da empresa e limita o montante da contribuição.

Os novos termos não alteraram os fundamentos do plano, que ignoram os credores e favorecem os acionistas, disseram as pessoas. A diretoria da Oi, os principais grupos de credores e o governo brasileiro continuam negociando uma solução para os US$ 19 bilhões em dívidas da empresa. A assembleia geral de credores programada para 7 de dezembro provavelmente será adiada para fevereiro para dar tempo ao governo para reestruturar o pagamento de R$ 11 bilhões (US$ 3,4 bilhões) devidos pela Oi à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), disseram as pessoas.

"O plano proposto pelo conselho conflitado tem muitos problemas que o tornam inviável para a empresa", disse Corrado Varoli, CEO do G5 Evercore, que representa um grupo de detentores de dívida na disputa, em declaração enviada por e-mail. "Nenhum desses problemas foi resolvido com as mudanças mais recentes."

Alguns membros do conselho da Oi, que aprovou as mudanças, acreditam ter dado um passo significativo para a aprovação do plano pela Anatel, segundo outra pessoa próxima ao assunto.

A assembleia geral de credores da Oi já foi adiada três vezes devido a divergências entre as partes envolvidas. Na semana passada, o tribunal que preside o processo de recuperação judicial mandou um duro recado: se os conselheiros continuarem agindo para limitar a capacidade da diretoria de negociar com credores, e a empresa não conseguir chegar a um acordo viável, o juiz considerará a possibilidade de colocar em votação o plano alternativo apresentado pelos credores, deixando de lado a proposta da operadora.

A ideia de uma proposta alternativa preparada pelos grupos de credores, pela advocacia-geral da União e pela diretoria da Oi está ganhando força, mas o conselho, que é controlado pelas acionistas Pharol SGPS e Société Mondiale, de Nelson Tanure, se recusa a negociar um plano que resultaria em uma diluição significativa, disseram as pessoas.

A Oi, a Société Mondiale e o Moelis, que representa outro grupo de credores, preferiram não comentar. A Pharol não tinha comentário imediato a fazer sobre o assunto.

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