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Europa poderia crescer em tecnologia com salários maiores

Adam Satariano

(Bloomberg) -- A Europa não produz grandes empresas de tecnologia influentes em todo o mundo como os EUA e a China. A pergunta que não quer calar é: por que não?

Uma das razões pode ser o fato de as empresas europeias não oferecerem aos empregados a chance de ficar ricos, segundo um novo estudo da firma europeia de capital de risco Index Ventures. Enquanto os funcionários de startups dos EUA muitas vezes são recompensados com opções de ações -- o que permite ganhos generosos quando uma empresa é vendida ou abre o capital --, as jovens empresas europeias não oferecem a mesma escala de incentivos.

Após analisar 73 empresas, a Index concluiu que os funcionários europeus são donos, em média, de cerca de 10 por cento das startups nas quais trabalham, contra uma fatia de 20 por cento entre os trabalhadores dos EUA. As empresas europeias muitas vezes destinam as opções de ações aos executivos e não aos funcionários de base.

O potencial de uma fortuna inesperada facilitaria o recrutamento e a retenção de funcionários pelas startups europeias. Do contrário, esses empregados poderiam se transferir para empresas de tecnologia dos EUA que ofereçam salários e benefícios melhores, deixar a Europa ou optar por empregos corporativos de menor risco, segundo a Index. A firma, criada há 20 anos com a meta de levar um modelo de capital de risco do Vale do Silício para a Europa, apoiou empresas como Skype, Supercell e Just Eat.

Autoridades, investidores e líderes empresariais europeus debatem formas de estimular o setor de tecnologia na região. Mais conhecida pela rígida regulação do setor, e não pela inovação, a Europa tenta criar um ambiente propício para conceber o próximo Facebook ou a próxima Tencent Holdings.

A Index acredita que as autoridades da região precisam se esforçar mais para estimular as empresas a oferecerem opções de ações, por exemplo reduzindo impostos quando as opções são exercidas.

Na Suécia, a falta de opções de ações lucrativas na Klarna, um dos poucos unicórnios tecnológicos da Europa, gerou uma série de saídas de funcionários de nível sênior porque as leis tributárias suecas tornam mais difícil para a Klarna recompensar seus funcionários com ações.

"Acreditamos que uma nova abordagem para a propriedade por funcionários é fundamental para a criação de gigantes da tecnologia europeias da escala do Google ou da Amazon", afirmou a Index em seu relatório.

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