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Temendo instabilidade política, emissões brasileiras disparam

Julia Leite e Paula Sambo

(Bloomberg) -- Os primeiros dias de dezembro foram repletos de emissões de títulos de empresas brasileiras, levando ao mercado empresas aéreas, bancos e frigoríficos. Considerando também as três ofertas de ações que deverão ter preços fixados na semana que vem -- entre elas um enorme IPO da BR Distribuidora --, o último mês do ano caminha para se tornar um dos mais movimentados dos mercados de capitais.

Investidores e empresas têm pressa porque querem se antecipar a um momento de turbulência para os ativos brasileiros, já que o governo está tendo dificuldades para reunir apoio para a aprovação de seu projeto de reforma da Previdência antes da eleição presidencial, que deverá guiar o humor do mercado durante a maior parte de 2018. A estratégia pode se provar inteligente -- o mercado fechou em queda na quinta-feira devido ao aumento do ceticismo em relação à aprovação da medida para reforçar as finanças do governo.

Além disso, tem ano eleitoral pela frente. Como ainda não surgiu nenhum candidato adorado pelos investidores, alguns economistas e gestores de fundos já estão nervosos com a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de opinião, seguido pelo ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro.

"Por que esperar 2018 quando há chances muito reais de a reforma da Previdência ser tentada, mas não aprovada, e preocupações políticas cada vez maiores?", disse Ian McCall, que assessora US$ 190 milhões em ativos de mercados emergentes na First Geneva Capital Partners, acrescentando que a alteração dos juros nos EUA também impulsiona as vendas de dívidas.

A falta de progresso em Brasília transformou o real na terceira pior moeda dos mercados emergentes de outubro para cá e reduziu o avanço acumulado das ações no ano a 20 por cento, contra um pico de 28 por cento. O CDS é a exceção, com os swaps de crédito de cinco anos do Brasil perto do menor nível desde 2014.

Neste trimestre já foram realizadas 13 emissões de bonds, empurrando o total de 2017 para cerca de 40 vendas, que levantaram US$ 32 bilhões, um aumento de mais de 50 por cento em relação ao ano anterior, segundo dados compilados pela Bloomberg. A unidade de combustíveis da Petrobras, a BR Distribuidora, a operadora local do Burger King e a Neoenergia, unidade brasileira da Iberdrola, estão entre as empresas que estão trabalhando para vender ações na semana que vem.

A BR Distribuidora e a Neoenergia buscam levantar R$ 7,5 bilhões (US$ 2,3 bilhões) e R$ 4,2 bilhões, respectivamente, informaram as empresas em comunicados ao mercado. O Burger King Brasil pode vender até R$ 2,5 bilhões, informou a empresa.

Se essas emissões de ações forem fechadas no ponto médio de suas faixas de preço, o Brasil terá mais de R$ 25 bilhões em IPOs neste ano. Esse seria o maior valor desde 2007, quando o volume atingiu um recorde de R$ 52,6 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.

"Todos temem o fechamento da janela no ano que vem devido à volatilidade ligada às eleições", disse Marcos Peixoto, chefe da unidade de gestão da XP Investimentos, que detém R$ 9 bilhões em ativos. "Na pressa, alguns podem acabar deixando dinheiro na mesa."

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